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Roubo de cargas no Brasil: cenário e soluções

Publicado em 18/11/2015

*Por Cyro Buonavoglia

Vivemos um momento de crise econômica e, assim, estamos  em um ambiente “fértil” para a proliferação do roubo e furto de cargas. O abastecimento fica mais oneroso e as ofertas de produtos roubados com parte dos valores subsidiados pelo crime se transformam em ofertas atraentes para o comércio. Além disso, a falta de estrutura da segurança pública e as penalidades brandas na legislação contribuem para o aumento dos índices de perdas.

Por outro lado, é indiscutível a atuação da polícia. Porém, a organização das quadrilhas vêm aumentando vertiginosamente. Para contermos esse crescimento, são necessários investimentos maciços nos setores de segurança, fiscalização nos pontos de vendas, aproximação formal da polícia com o setor privado e alteração urgente no código penal, no que tange o crime de receptação. Isso porque o nosso código penal não caracteriza dolo ao crime de receptação, e um simples pagamento de fiança devolve às ruas o criminoso, que, juntamente com o tráfico de drogas, são os principais motivadores pra o roubo de cargas.

Assim, o cenário de risco naturalmente sofre constantes mudanças, com características cíclicas, mas a falta de resistência, principalmente, pelo Poder Público tem incentivado o crescimento dessas ações criminosas.Em relação ao modo de operação, os roubos estão concentrados, principalmente, em São Paulo e Rio de Janeiro, considerando tanto a área urbana quanto as rodovias. A Rodovia Anhanguera (recordista em incidências), Via Presidente Dutra e Castello Branco estão no topo da lista de ocorrências. A região Sudeste detém um pouco mais de 81% dos roubos, no País, contidos nessa região, e temos São Paulo e Rio de Janeiro com quase 75%.

Produtos alimentícios, cigarros, confecções e eletroeletrônicos lideram a lista, pois são comercializados no varejo, devido à fácil distribuição e à difícil identificação de origem. Diante de tudo isso, o gerenciamento de riscos é indispensável. Uma minuciosa análise situacional das operações, bem como a devida aplicação dos procedimentos, treinamento, implantação e manutenção contribuem efetivamente para a prevenção e a mitigação das perdas. Essa afirmação é facilmente percebida quando estabelecemos um comparativo do número de cargas gerenciado e recuperado, confrontado com o número de perdas.

O gerenciamento de riscos tem por obrigação evoluir constantemente não só na aplicação dos serviços, como também no envolvimento com os setores de tecnologia e segurança, para neutralizar e/ou minimizar a exposição de cargas aos riscos. Sem essa prática não há gerenciamento de riscos.

As tecnologias são ferramentas fundamentais para a gestão de riscos das operações, porém, devem sempre buscar dispositivos que dificultem e/ou impeçam as ações marginais. A evolução das ferramentas devem andar à frente do modus operandi das quadrilhas. É importante destacar que as tecnologias para nada servem se os seus recursos não forem bem programados e utilizados pelas centrais de monitoramento, com ações de pronta resposta.

Os modelos de gerenciamento de riscos, na intensidade que são aplicados no Brasil, torna-nos referência mundial nessa prática. Empresas brasileiras já são visitadas e convidadas para multiplicar os seus conhecimentos, principalmente, nos mercados mexicano e argentino. Entretanto, sempre destaco que gerenciar riscos é uma cultura. É importante que todos os setores envolvidos, gerenciadoras de riscos, embarcadores, transportadores, seguradoras, corretoras de seguros e órgãos de segurança pública, trabalhem em sinergia, com o foco diário no controle e redução de perdas.

* Cyro Buonavoglia, que atua na área de gerenciamento de risco há mais de 20 anos, é presidente da Buonny Projetos e Serviços de Riscos Securitários.

 

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