RevistaMundoLogística
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Mas sua utilização só se justifica em operações de certo volume
*Claudio Czapski: é superintendente da Associação ECR Brasil
A paletização muda o patamar operacional da empresa, pois a unidade logística deixa de ser a caixa de embarque e passa a ser o palete, permitindo, assim, usufruir de todas as vantagens da automação e da modularização. É claro que sua utilização só se justifica em operações de certo volume, onde haja necessidade de movimentar volumes maiores de produtos, e em condições físicas que permitam o uso de equipamentos de carga e descarga.
A mudança é importante e pode agregar eficiência, mas demanda investimentos e mão-de-obra especializada. Não trataremos aqui do palete em si, mas sim das armadilhas que devem ser evitadas quando ele é utilizado ? e especialmente da necessidade de levá-lo para além da área logística.
A primeira questão é a modularização: o palete passa a ser a unidade de tudo que se faz na logística ? separação, embarque, transporte, recebimento, armazenagem - e para que se possa aproveitar plenamente os benefícios potenciais que o sistema oferece, é necessário de fato usar o padrão a seu favor, o que implica em ter todos os paletes nas mesmas medidas, modular os corredores e prateleiras dos depósitos de modo a otimizar o uso do espaço, fazendo o mesmo com os veículos utilizados no transporte, evitando que trafeguem com parte de suas caçambas vazias. É desejável ainda ter alturas de veículos e docas alinhadas, facilitando carga e descarga.
A modularização do palete, portanto, passa a ser o insumo básico de todo o planejamento físico e operacional ? e aí temos dois pontos essenciais: primeiro, a estrutura física dos depósitos, onde deve ser planejado o fluxo de mercadorias e veículos (desde estacionamento e pátios de manobra dos caminhões que chegam e saem, até a circulação de porta-paletes e empilhadeiras), bem como a altura do galpão compondo o empilhamento dos paletes e os espaços adicionais demandados para iluminação, ventilação e operação de equipamento de combate a incêndios. O projeto deve contemplar aspectos espaciais e operativos, provendo as instalações de pisos adequados aos tipos de veículos e cargas, e estruturas que comportem o peso das mercadorias armazenadas com as indispensáveis margens de segurança.
Em segundo, a escolha dos equipamentos, na qual parece existir uma tendência à superutilização de empilhadeiras nos depósitos, equipamentos de elevado custo e destinados, como indica o nome, a empilhar. Preferencialmente, a movimentação horizontal deve ser realizada utilizando porta-paletes, que oferecem menor custo e são desenhados exatamente para este fim. É claro que o uso ótimo dos equipamentos dependerá da infra-estrutura física e das características das cargas, mas dado o foco à eficiência, todo o projeto deve ser orientado pelo conhecimento do que será armazenado e movimentado.
Após o planejamento correto da operação, o passo seguinte é a retaguarda de sistemas, que vai desde a identificação de produtos (além dos códigos de barras das embalagens de comercialização e das caixas logísticas, é preciso também contar com o código do palete), até a inclusão no cadastro de todas as informações pertinentes (caixas e camadas por unidade, volume, peso etc.), bem como a sofisticação do planejamento e acompanhamento de recebimentos e entregas (registrando elevados níveis de serviço, os estoques em trânsito podem ser considerados parte da operação, reduzindo a necessidade de inventários nos depósitos, e assim minimizando o capital de giro).
Um dos maiores entraves ao perfeito uso da paletização, entretanto, pode ser a área comercial, quando não conhece e adota a modularidade adequada. Imaginemos, por exemplo, um produto acondicionado à razão de 30 caixas por palete, e transportado em um caminhão que comporte 28 paletes. Uma viagem completa, portanto, significa 840 caixas de produto ( 30 x 28 ).
Os responsáveis pelas áreas comerciais de muitas empresas, talvez por razões históricas ou de nossa formação básica, e por completo desconhecimento das operações logísticas, tendem a tratar com "números redondos" - o que no caso do produto exemplificado acima talvez signifique negociar e comprar/vender à ordem de 1.000 caixas. Feito o pedido, o problema passa a quem armazena e movimenta, gerando uma situação complexa:
A paletização permite, como melhor aproximação das mil caixas, o embarque de 33 paletes, ou seja, 990 caixas;
O uso da carreta completa, modelo ideal do ponto de vista do transporte, significa deixar para trás 160 caixas de produto, ou seja, cinco paletes mais dez caixas.
Se não há alinhamento entre o mundo logístico e o comercial, cria-se um problema: o comprador entende cumprida sua ordem de compra diante da entrega integral de tudo que pediu, e para o vendedor poder atendê-lo, terá não só de enviar uma carga parcial, como ainda algumas caixas soltas, não paletizadas. Ou as dez caixas em um palete de 30, caso o recebedor só aceite a mercadoria paletizada, o que mais uma vez foge ao padrão e tem implicações negativas desde a montagem da carga até o uso de espaço ou empilhamento ? evidentemente refletindo-se em tempos e custos que não foram considerados nas negociações entre comprador e vendedor leigos no assunto.
Por estas razões, as empresas mais eficientes trabalham com os chamados times multifuncionais, quando, por exemplo, comprador e vendedor só negociam com o respaldo de suas respectivas áreas logísticas, a unidade de negociação passando a ser o palete e/ou a carreta, permitindo minimizar custos e agilizar todo o sistema de distribuição.
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