RevistaMundoLogística
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A Delta Serviços Logísticos estima aumento das despesas com folha de pagamento e reforço noturno da segurança.
Se por um lado as medidas anunciadas pela prefeitura de São Paulo pretendem melhorar o trânsito na capital paulista, por outro devem causar impactos significativos para quem presta serviços de transporte e gestão logística, como é o caso da Delta. Com a aprovação do decreto que restringe a circulação de caminhões, a empresa já prevê aumento de custos, contratação de funcionários, investimento em segurança e maior tempo para transportar volumes elevados de cargas.
Entre as mudanças propostas pela prefeitura está a restrição do horário para carga e descarga, que proíbe a circulação de caminhões das 5 às 21 horas em parte do centro expandido da capital. Outra medida é a ampliação da área de restrição, passando dos atuais 25 km² para 100 km².
O superintendente comercial da Delta, Pérsio de Carvalho Júnior, acredita que essas alterações são importantes para se tentar disciplinar o transporte de carga em São Paulo, mas uma série de adaptações precisarão ser feitas para que as empresas se adequem às medidas. Ele ressalta que a Delta, por exemplo, trabalha com o transporte de caixas eletrônicos e, com as mudanças de horário para carga e descarga, será necessário reforçar a segurança nos bancos durante o período noturno. ?O processo de entrega pode até ser feito nos horários estipulados pela lei, desde que haja condições de segurança para o transportador. Abrir uma agência bancária durante a noite é uma situação extremamente complexa?, destaca.
Outro impacto dessa nova medida é a ampliação em 25% do quadro de funcionários que trabalham à noite, com o conseqüente aumento das despesas para o operador logístico decorrente da necessidade de se pagar o salário adicional noturno. "Toda vez que se está com uma frota na rua tem uma equipe de atendimento que fica na retaguarda para qualquer imprevisto. Por isso, vamos ter que aumentar nossa equipe noturna, que hoje conta com mais de 30 pessoas", explica o superintendente comercial.
Pérsio teme que haja também uma restrição em relação ao tamanho dos caminhões que poderão circular durante o dia, como já acontece em muitas cidades dos Estados Unidos e da Europa. "Se hoje a Delta utiliza veículos que transportam até quatro toneladas, não duvido que terá que passar a usar aqueles de até duas toneladas. Então, um transporte que levaria as quatro toneladas de uma só vez terá que ser dividido em três ou quatro vezes. O que, por conseqüência, prejudicaria o trânsito, pois haveria maior número de veículos nas ruas, só que de porte menor", avalia.
Atualmente, a Delta tem um fluxo de mais de 40 veículos circulando diariamente em São Paulo das 10 às 18 horas. Segundo o superintendente comercial, a empresa vai usar a estratégia de dialogar com os clientes para se adaptar às medidas, assim que forem decretadas oficialmente. "Vamos mostrar as opções existentes e as conseqüências de cada uma delas para negociar com os clientes qual a melhor maneira de nos enquadrarmos nessa norma. Por enquanto, nossa preocupação maior é com o transporte de sensíveis, porque existem equipamentos que não cabem em veículos menores", conclui.
As novas regras começam a valer no final de junho - 45 dias após a publicação do decreto, que aconteceu em 13 de maio.
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