Entrevista com o diretor da Divisão de Transportes da WebRadar, Dante Mattos, sobre o Quality Transport
Data: 16/06/2015

Quality Transport e a sinergia com o Remote FMS
Plataforma garante o controle logístico, o aumento da qualidade dos serviços prestados, a redução de custos operacionais e riscos de acidentes, a diminuição do consumo de combustível e o controle da emissão de carbono e extensão da vida útil dos pneus, freios e lubrificantes

Por Viviane Farias | Redação MundoLogística

Fundada em 2008, no Rio de Janeiro, a WebRadar oferece soluções de Big Data Analytics (BDA), para o gerenciamento da Internet das Coisas (IoT). Seus produtos são utilizados para a coleta massiva de dados e, assim, organizados e processados em tempo real, com o objetivo de identificar comportamentos e gerar insights e recomendações, alinhadas aos negócios dos seus clientes. 

Entre os sistemas que a WebRadar disponibiliza está o Quality Transport, que possui inteligência automotiva para o gerenciamento de frotas e possibilita a análise de condução do veículo, em tempo real, por meio da telemetria, utilizando computadores e equipamentos de bordo, cujos dados coletados são processados para a análise e emitidos por meio de relatórios online e web.

Em entrevista à MundoLogística, o engenheiro de Produção Mecânica, com MBA em Administração, e diretor da Divisão de Transportes da WebRadar, Dante Mattos, explica como o Quality Transport opera, quais as suas vantagens e diferenciais, destacando como essa plataforma trabalha em sinergia com a interface Remote FMS (Flexible Manufacturing System).

MUNDOLOGÍSTICA: O que é a plataforma Quality Transport?
DANTE MATTOS: O sistema opera com um terminal de dados eletrônicos, instalado dentro do veículo, em sinergia com dispositivos diversos, como sensores de impacto, monitor de pressão de pneus, entre outros. É uma plataforma que atua nos três principais custos de qualquer empresa que tem uma frota: o combustível, a jornada de trabalho e o remold. É uma ferramenta de controle logístico, que visa ajudar o cliente a utilizar esses principais custos da operação.

Com relação ao combustível, o Quality Transport tem integração com o sistema de abastecimento, por meio de seu software, possibilitando saber quando e onde o veículo parou para abastecer, quem era o motorista naquele momento, quantos litros foram abastecidos, qual o tipo de combustível foi utilizado, podendo, inclusive, embarcar regras de abastecimento. Por exemplo, em um tanque de combustível que tem 400 litros, quando o motorista vai abastecer, insere-se a regra de não liberar mais do que 400 litros. Se ele abastecer mais, a situação está errada. Dessa forma, o Quality Transport controla diversas regras de gestão do abastecimento, seja em um posto externo, de rodovia ou cidade, ou em um posto interno. Além disso, é possível fazer a gestão do combustível no ponto de armazenagem da empresa. São colocados sensores no tanque de armazenagem, para ser monitorado e saber se o volume desse tanque está sendo consumido como deveria. Quando alcança um determinado nível, soa-se um alarme, que avisa sobre a necessidade de fazer a reposição do combustível.

A plataforma também monitora o consumo, dividindo-o em dois focos principais, o consumo do veículo e do motorista, uma vez que existem diferenças significativas no consumo por motoristas distintos, em um mesmo veículo. O Quality Transport faz, ainda, a associação da ferramenta de controle de consumo com a de controle logístico, mensurando por tipo de viagem. Por exemplo, se o veículo está ou não carregado e com quantas toneladas, verificando o consumo por tonelada transportada. Por meio do big data e dos relatórios, consegue-se, então, descobrir qual a melhor composição para atender determinada operação.

A plataforma de controle de jornada de trabalho verifica se todos os motoristas estão cumprindo as regras de condução de veículos e faz o controle da jornada e do tempo ao volante. Emite relatórios de gestão e realiza o controle de departamento pessoal. Já a gestão e o controle de remold monitoram a vida útil dos pneus, desde o momento que entram no estoque da empresa até o descarte final das carcaças. Acompanham por onde o pneu passou, em qual veículo foi instalado, quanto tempo ficou instalado, quantos quilômetros rodou, se foi para a recapagem, se passou do carro A para o B, entre outros.

Depois de focar nesses três itens, o Quality Transport segue para os módulos especialistas, que fazem o controle logístico e verificam toda a programação de viagens da empresa e se está sendo atendida conforme o programado. É uma ferramenta de gestão online, que facilita o dia a dia do operador, ao acompanhar a programação da viagem e avisá-lo, com antecedência, se ocorrer um problema. Há, ainda, os módulos de gestão de segurança contra acidentes, que monitoram todos os parâmetros envolvidos na segurança da operação, principalmente, o controle de velocidade, a aceleração brusca, a freada, a banguela etc. Isso permite saber se o motorista tem uma condução segura ou não, se há uma não conformidade e onde precisa ser tratada.

Como os dados, no Quality Transport, são processados?
O Quality Transport opera por meio de quatro camadas. Na primeira camada, é realizada a conexão com o equipamento instalado no veículo. É uma camada de software responsável por coletar dados de dispositivos de outros fabricantes, fornecedores, de vários tipos de marcas e modelos. Por exemplo, na área de transporte, há as empresas que, normalmente, possuem frotas mistas, com equipamentos de rastreamento e telemetria instalados de diversos fabricantes. É mais comum ter uma única prestadora de serviço, quando o veículo é próprio. Portanto, uma frota é composta por veículos próprios, mas, muitas vezes, por agregados também, que podem ser de marcas diferentes e possuírem um rastreador embarcado, que não, necessariamente, é o mesmo rastreador ou sistema de telemetria que está presente na frota atual da empresa. Diante disso, a primeira camada é responsável por fazer a coleta de informações de cada um desses tipos de equipamentos.

Na segunda camada, são organizados os dados que foram coletados, na camada anterior, em um banco de dados único. Por exemplo, a tabela de posições de Global Positioning System (GPS) tem uma longitude e latitude, data e hora para identificar onde o veículo estava em um determinado momento do dia. Apesar de haver diversos equipamentos de rastreamento, essa informação de localização do veículo é comum a todos. Esses dados, então, são armazenados em um banco de dados padronizado e unificado. Dependendo da tecnologia e tipo de equipamento instalado, haverá mais ou menos informações.

Na terceira camada, embarcam-se as regras de negócio, sendo onde fica a inteligência do sistema. Por exemplo, se estamos analisando o módulo de conteúdo logístico, é verificado o cumprimento das viagens que foram programadas para todos os veículos, continuamente, de forma online, em qual local está, bem como se está em deslocamento ou parado, e para qual direção trafega.

A última camada é a de user interface (interface do usuário), na qual se apresentam os dados. É onde faz a programação do sistema, para que todas as informações coletadas sejam apresentadas de maneira fácil, para que o usuário entenda.

Essa plataforma trabalha em sinergia com a interface Remote FMS. No que consiste essa interface?
FMS é um protocolo padronizado de comunicação de dados, feito por uma associação de diversas montadoras, que combinaram entre si que deveria haver um protocolo de comunicação de dados comuns entre todas elas, visando facilitar o desenvolvimento de novas ferramentas e tecnologias embarcadas nos veículos. Quando se refere a uma plataforma comum, como o FMS, significa que todo equipamento consegue se conectar a outros de diferentes veículos, buscando a mesma informação. O Remote FMS é muito utilizado para a acoplagem de equipamentos de rastreamento e telemetria. É uma forma de as montadoras participarem de um mercado de prestação de serviço. Assim, a montadora seria a responsável por fazer a coleta de dados do barramento CAN do veículo e disponibilizar as informações colhidas, por meio de um servidor da própria montadora. Assim, o Remote FMS é uma forma de fazer a coleta de dados, mediante um dispositivo original de fábrica, disponibilizando essas informações em um servidor da própria montadora. O Quality Transport é, então, uma ferramenta que já está integrada a esse Remote FMS. A plataforma faz a leitura desse protocolo padronizado, disponibilizando aos clientes todas as nossas ferramentas, de maneira universal. Independentemente do veículo que tenha, há um protocolo padronizado e utiliza-se um software capaz de manipular e gerenciar volumes grandes de dados.

Quais as vantagens de se utilizar o Remote FMS?
A vantagem principal é conseguir fazer o gerenciamento de frotas heterogêneas. A vantagem, para o frotista, é conseguir fazer a homogeneização dos dados, independentemente da montadora, padronizando os processos internos. O Remote FMS permite que os dados sejam coletados e enviados aos veículos, por meio de uma interface gerida pelos próprios fabricantes, o que assegura uma maior qualidade das informações capturadas. 

Quais os benefícios que o Quality Transport proporciona?
O principal deles é fazer a leitura de maneira unificada, não importando o dispositivo que está instalado no veículo.

Quais as perspectivas de abrangência e difusão desse sistema?
A nossa missão é transformar a plataforma Quality Transport em um padrão de mercado, tanto nacional, quanto internacional. Nosso intuito é ser referência de qualquer empresa de transporte, em relação às ferramentas e relatórios de gestão e controle operacional.

 





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