Entrevista com Mario Veraldo, diretor Comercial da Maersk Line, sobre a queda das importações para o Natal
Data: 25/11/2014

Mario Veraldo

Cenário de desafios para a importação no Natal
Com a queda das importações no terceiro trimestre e o real desvalorizado, as exportações estão gerando oportunidades para o Brasil melhorar a infraestrutura e o investimento na construção de novos terminais portuários

Por Viviane Farias | Redação MundoLogística

O Brasil está caminhando para o pior Natal desde 2003. Apesar do total de importações e exportações brasileiras por contêineres, para o resto do mundo, ter crescido 3%, no terceiro trimestre, de acordo com estatísticas elaboradas pela Dataliner para a Maersk Line, o resultado foi menor do que no segundo e primeiro trimestres, quando o volume de importações e exportações aumentou, respectivamente, 3,8% e 4,1%.

Com a desvalorização do real, quem obteve destaque nesse cenário desafiador foi a exportação de produtos não refrigerados, que aumentou 21%, seguida de uma explosão na demanda da Ásia, África Ocidental e Oriente Médio acima de 28%, 46% e 67%, respectivamente. As Américas do Norte e Latina registraram crescimento de dois dígitos baixos. Para as exportações de refrigerados, o quadro foi misto. O mercado brasileiro melhorou apenas 1,1%, depois da América do Norte e Europa caírem 8,3% e 5,5%, compensando o crescimento de 17,6% da Ásia e 17,9% de ganhos da África Ocidental.

No entanto, a demanda brasileira por produtos dos maiores mercados teve uma queda de 4,9% da Europa, 10,3% da Ásia, 4% da América do Norte e 15% dos Estados Unidos e Golfo do México.

Para falar sobre como caminharão as exportações e importações brasileiras para este final de ano, a revista MundoLogística entrevistou o diretor Comercial da Maersk Line, Mario Veraldo, que destacou que  “a expectativa de um Natal sem força tem sido reforçada pela queda nas importações asiáticas, que caíram dois dígitos, o que é bastante incomum”.

MUNDOLOGÍSTICA: Como o senhor analisa o cenário brasileiro de importação de produtos para este Natal?
MARIO VERALDO: A nossa expectativa, como vinha acontecendo nos últimos anos, era que o produto acabado tivesse um aumento nas importações, no terceiro trimestre, que é um ciclo natural de consumo no Natal, mas que, infelizmente, este ano, não aconteceu. Tivemos uma retração, no terceiro trimestre, que indica que o Natal será um pouco menos interessante, do ponto de vista do consumo, do que nos anos anteriores.

Os produtos da Ásia, que, até então, eram um dos mais consumidos, sofreram queda na importação. O que motivou essa redução?
Existem dois fatores preponderantes: o câmbio que encareceu esses produtos e a demanda que sofreu uma retraída, com um consumo um pouco menor no Natal, sem o crescimento que viemos experimentando nos últimos anos.

Com a depreciação do real, os benefícios se voltaram à exportação. Como está a exportação para este final de ano?
As exportações realmente tiveram uma melhora e, principalmente, os produtos agrícolas, que são as commodities que o Brasil exporta. Isso tem muito a ver com o câmbio, que foi, realmente, um fator importante nesse aumento das exportações. A nossa preocupação é que isso possa gerar gargalos logísticos no futuro, porque sabemos que a questão de infraestrutura foi amplamente discutida há um ano, quando tivemos gargalos muito fortes, que, de certa forma, foram resolvidos com a entrada em operação da Embraport e do Brasil Terminal Portuário (BTP), em Santos. Entretanto, esses gargalos ainda existem e começarão a ficar mais visíveis novamente, conforme formos observando o aumento nas exportações.

Quais as vantagens que o aumento das exportações está proporcionando ao País?
É muito importante para o País, porque o preço das commodities internacionais vem caindo. Então, é preciso que o Brasil consiga fazer mais volume de exportação para compensar as perdas do valor por tonelada desses produtos.

Nesse cenário, o que a Maersk Line tem feito para otimizar os custos e ainda se manter com fretes competitivos?
Hoje, estamos com uma otimização de cerca de 90%, com o foco na questão dos custos, que são os menores possíveis. Com os níveis de frete que temos hoje, que são os mais baixos da história, a grande preocupação é com relação à rentabilidade dos nossos serviços. Para isso, possivelmente, no começo do ano que vem, teremos de fazer ajustes de capacidade nas rotas que operamos no Brasil. Ainda não definimos detalhes, mas precisamos de uma melhoria na utilização dos serviços.

O que é necessário, então, para aumentar a competitividade brasileira e iniciar 2015 com a economia estável e favorável aos negócios?
Precisamos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principalmente, na área de infraestrutura, e que algumas dessas obras tenham resultados de verdade, porque ainda não estamos vendo esses sinais. É necessário que as concessões de portos, ferrovias, que estão travadas, sejam trabalhadas, porque os gargalos existem e teremos de conviver com eles muito em breve, novamente. Quanto mais esse trabalho começar a ser executado, teremos mais rápido os sinais de melhoria.

Com esses desafios, como a Maersk Line vem buscando se desenvolver com o foco em 2015?
Estamos atuando muito no aspecto de atender bem aos nossos clientes e proporcionar visibilidade a eles, na cadeia logística como um todo. Por isso, temos sistemas integrados, como o nosso site, que acabou de ser relançado e possui uma série de ferramentas que colabora com essa visibilidade. Porém, do ponto de vista de serviço, estamos analisando como otimizar a presença dos navios no Brasil, uma vez que precisamos enchê-los com a carga que temos. Como o volume de importação tem caído, estamos tendo de fazer alguns ajustes.

 





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