Entrevista com Cesar Meireles sobre os dois anos da ABOL
Data: 17/07/2014

Carlos Cesar Meireles Vieira Filho

ABOL: há dois anos unindo esforços para a regulamentação do operador logístico
Associação comemora com projetos que visam estruturar uma categoria não regulamentada

 
Por Viviane Farias | Redação MundoLogística
 
Bahia, Pernambuco e São Paulo fizeram parte da trajetória profissional do diretor executivo da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), Carlos Cesar Meireles Vieira Filho. Formado em Administração, com pós-graduação em Marketing e mestrado também em Administração, Meireles iniciou sua carreira na Companhia Siderúrgica do Nordeste. 
 
No governo da Bahia, atuou no desenvolvimento de um projeto sobre uma multimodalidade do Estado. Retornando ao setor privado, focado na prestação de serviços logísticos, foi para a empresa Columbia. Esse trabalho realizado o fez chegar a São Paulo, passando por empresas representativas do setor, na área de logística alfandegária e desenvolvendo projetos de um terminal de exportação de veículos. Passou, depois, dois anos organizando consultorias para operadores logísticos. Foi quando, em 2012, ingressou na ABOL, que completa, hoje, 17, dois anos de fundação.
 
Nesta entrevista exclusiva à MundoLogística, Meireles aborda a criação da entidade, as metas e planos futuros, bem como a importância da regulamentação do operador logístico.
 
MUNDOLOGÍSTICA - Como surgiu a ABOL?
MEIRELES - Em 2012, alguns operadores logísticos, os maiores e mais representativos do País, reuniram-se com o propósito de fundar a ABOL. Até aquele ano, não havia uma Associação que, efetivamente, representasse o operador logístico, uma vez que essa atividade é muito recente no mundo. A história desses profissionais começou a ser construída a partir da segunda metade dos anos 80, quando o operador logístico passou a ter importância, devido ao final da Guerra Fria e ao início de um processo mais expressivo da globalização. Surgiu, então, a necessidade de ter um prestador de serviço com atuação mais ampla e integrada, que pudesse compreender toda a cadeia de valor da logística. Somente a partir de 1988, com a Constituição Federal, os serviços essenciais da logística puderam passar para o setor privado. No entanto, essa categoria cresceu sem desenvolver uma classificação econômica específica. No Brasil, existe a Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE), que configura a atividade econômica de maneira plena. A partir de 1994, o custo e a qualidade passaram a ser os focos de todas as organizações, visto que começava a haver uma concorrência muito mais acirrada, interna e externamente. Eficiência, qualidade e níveis de serviço tornaram-se preponderantes. Em 1995, a maioria dos operadores logísticos estrangeiros estava no Brasil, porque viu no País um potencial muito grande. Com o fim da inflação, houve a abertura de novos mercados e a formação de uma nova ordem econômica global, existindo mais competitividade.
 
Qual a missão da entidade?
A agenda principal da ABOL é a regulamentação do operador logístico, uma vez que, a partir do momento que ele atua em todos esses setores e atividades e não tem uma CNAE, essa categoria trafega em ambientes com elevada insegurança jurídica. A Associação busca, então, focar os seus esforços na direção da regulamentação do operador logístico.
 
Como a Associação tem lutado para que seja efetivada essa regulamentação?
Desde 2012, fizemos uma análise efetiva de como se constitui o setor, observando quem e quantos são os operadores, em quais serviços atuam, como funciona a CNAE, como obtê-la junto ao governo, entre outros questionamentos. Descobrimos que essa Classificação é da Organização das Nações Unidas (ONU) e os países signatários seguem essa direção. O órgão que gerencia a CNAE é a Comissão Nacional de Classificação (Concla), presidido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Começamos a trazer, então, esse assunto à tona, para ser analisada a extensão dessa problemática, fazendo um trabalho coerente para a regulamentação do setor. Com base nisso, passamos a estudar como outras nações regulamentaram o setor. A partir disso, compreendemos que era necessário realizar um trabalho bastante pleno e contundente, com uma visão histórica e jurídica do operador logístico no Brasil.
 
Como os operadores logísticos não possuem uma CNAE, a Associação elaborou um estudo. O que aborda esse estudo?
No final de dezembro do ano passado, convidamos as instituições acadêmicas mais relevantes e consultorias internacionais e jurídicas com bastante experiência universal para que se juntassem a nós nessa análise. Preparamos um termo de referência e solicitamos a elas propostas, que formaram seis consórcios. Selecionamos, então, em um processo bastante detalhado por todos os associados, o vencedor. Esse trabalho será realizado ao longo desse segundo semestre e buscará desenvolver sete grandes capítulos:
 
1- Contextualização do setor: Quem é o operador logístico no Brasil? Quais serviços prestam? Em quais setores atuam? Qual a dimensão desse setor? Qual a representatividade em termos de geração de empregos e arrecadação?;
 
2- Análise do operador logístico no exterior: Buscar uma relação de benchmark com países que chegaram a uma autorregulação ou se seguiram caminhos diferentes;
 
3- Análise do arcabouço jurídico: Quais são as leis que fundamentam o operador logístico em toda a sua complexidade? A partir disso, extrair um compêndio de leis que atuam e interferem na atividade, levando a um Projeto de Lei que trate da regulamentação, se for esse o encaminhamento recomendado;
 
4- Normatização do operador logístico: Abrir esse questionamento para um universo mais amplo;
 
5- Código Nacional de Boas Práticas Empresariais em Logística: Como isso se constituirá para o exercício das melhores práticas possíveis;
 
6- Selo de Acreditação: Para aqueles que seguem as boas práticas;
 
7- Indicadores de Desempenho: Acompanhar o desenvolvimento estabelecido nesse processo.
 
Qual a importância da união e participação dos 19 associados da ABOL para a defesa e consolidação do setor?
A ABOL nasceu pelos associados, devido a uma necessidade identificada por eles. A Associação é administrada por uma diretoria executiva e pelos associados, que têm acento no Conselho Deliberativo e se reúnem a cada dois meses. Existe um comprometimento muito grande de todos os associados, visto que só é possível um grande feito se estivermos presentes, obtendo tempo e dinâmica muito maiores nas aprovações, nas leituras de todo o material que precisa ser produzido e uma agenda célere. Esse compromisso é muito grande e positivo por parte de todos os titulares das empresas.
 
A Associação completa dois anos hoje, 17. Quais as perspectivas futuras e metas para o setor e para a ABOL?
Esse estudo irá até dezembro. A partir daí, precisaremos tornar isso público. Provavelmente, no início do primeiro semestre do ano que vem, a nossa intenção é promover um evento de divulgação, para compartilharmos com toda a comunidade esse trabalho realizado. Entretanto, o mais importante é o desdobramento, estabelecendo todo o trabalho de preparação e autorregulação. Esse trabalho certamente beneficiará todo o setor de operadores logísticos, independentemente do porte e do grau de maturidade das empresas, porque pretende estabelecer certificações em vários níveis, que são salutares para o desenvolvimento qualitativo, sustentável e ordenado do setor, podendo contribuir para uma melhoria continuada de níveis de serviço e para a redução do Custo Brasil.

 





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