15/01/2013

Perspectivas 2013 para Logística: “não se pode encontrar a verdade na tese nem na antítese, mas numa síntese emergente que reconcilia ambas”

 

Para falar de 2013, devemos olhar para 2012. Os movimentos de perspectivas se assemelham ao movimento de um navio, ou seja, acontece gradativamente. Refiro-me ao segmento onde exercemos atividades: o comércio exterior e a logística no Brasil. O comportamento da economia é fundamental para essa avaliação.


O ano de 2012 sofreu reflexos da crise econômica mundial e, segundo Relatório da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe) divulgado recentemente, em Santiago/Chile, este prevê que a economia latino-americana vai fechar 2012 com crescimento de 3,1%, menor do que os 4,3% de 2011, mas experimentará uma elevação para 3,8% em 2013. O número de 2012 mostra que a crise teve um impacto negativo, mas não dramático na região, que manteve, durante o ano, a resistência para enfrentar choques de origem externa. Para o resultado desse desempenho regional tiveram peso o menor crescimento de duas de suas maiores economias, que representam cerca de 41,5% do PIB: Argentina (2,2%) e Brasil (1%), e espera-se que em 2013 ambas se recuperem: até 3,9% no caso da Argentina e 3,2%, no do Brasil.

 

Joachim Kohl – é Diretor-presidente da Dachser


O IBRE - Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getulio Vargas (FGV) - avalia que o BC voltará a elevar a Selic somente quando a inflação ameaçar romper o teto da meta, o que não deve ocorrer em 2013. Uma das pesquisadoras do IBRE ressaltou que essa projeção embute um cenário dos mais otimistas possíveis. A própria equipe econômica do governo tem apostado em um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 4% para 2013, portanto, números semelhantes ao previsto pelo Relatório CEPAL.

Comércio Exterior, Logística e as perspectivas regionais – Com os olhos no comércio exterior e na logística, cito uma referência de mercado, a Dachser Brasil – que integra a multinacional alemã Dachser, um dos maiores grupos privados do mundo na área da logística e transporte de mercadorias – que anunciou números projetados de 2012. Na contramão de previsões de analistas financeiros em tempos de crise mundial, a empresa divulgou a projeção de resultados de 2012 com crescimento expressivo de 20%. A empresa vive um momento diferenciado, após consolidar a mudança de sua matriz de Indaiatuba para Campinas e receber o Troféu Fênix como um dos melhores agentes de carga em Viracopos.

Regionalmente, temos outros termômetros bem definidos. Buscamos, pois, a Região Metropolitana de Campinas, Sede da Dachser, cidade que abriga o maior aeroporto cargueiro do País e onde se encontram as grandes multinacionais e empresas de ponta, high tech. Portanto é, sem dúvida, uma bela amostra deste importante setor da economia brasileira. Senão, vejamos.

De um lado, o Aeroporto Internacional de Viracopos/Campinas que apresentou queda em seu movimento operacional em 2012. No acumulado até dezembro, o volume nas importações atingiu 163.220 toneladas ante 183.164 ton. no mesmo período de 2011, representando uma queda de 10,89%. As exportações atingiram em 2012, até dezembro, a marca de 84.832 ton. ante as 109.228 ton. também de janeiro a dezembro de 2011, experimentando uma queda de 22,34%.

Considerados os maiores aeroportos de cargas do País, aguardamos com boas expectativas o advento das concessões em Viracopos e Guarulhos. Uma nova etapa da administração nos dois maiores centros cargueiros de País, que desde os dias 14 e 15 de novembro de 2012, estão sob gestão dos consórcios Concessionária Aeroportos Brasil e Invepar, respectivamente, para uma operação assistida pela Infraero. Após, em 14 de fevereiro, as empresas passam a operar isoladas tais equipamentos urbanos. Só em Campinas, investimentos para os próximos dois anos ultrapassam R$ 2 bi.

Na outra ponta, a indústria regional que vê 2013 com otimismo. As indústrias da região de Campinas fecham 2012 sentindo que o ano poderia ser bem melhor do que foi. Até outubro, foram cortados 4.550 postos de trabalho e as exportações ficaram 8,1% menores. Mas agora é hora de olhar para frente e as perspectivas para 2013 são bem mais otimistas. Um indicativo que revela essa visão positiva é a intenção de investimentos para o ano das indústrias associadas ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), Regional Campinas: R$ 97,75 milhões. O volume é 5% superior aos recursos empenhados em 2012, que chegaram a R$ 93,23 milhões. Embora maior do que o ano passado, o montante ainda está bem aquém de 2008, quando foram investidos R$ 430,48 milhões.

No cenário externo, há mais riscos para o País, como a crise na Europa, a lenta recuperação dos Estados Unidos e a avalanche das importações asiáticas e europeias que invade tradicionais mercados compradores de produtos brasileiros na América Latina. Também estudo do Ciesp-Campinas aponta o déficit da região até outubro, que somava US$ 5,7 bilhões.

Finalizando, remeto os leitores ao título deste artigo, com uma citação do filósofo Alemão Georg Hegel: “Não se pode encontrar a verdade na tese nem na antítese, mas numa síntese emergente que reconcilia ambas”, para refletirmos sobre as perspectivas 2013. Os sinais apontam uma visão otimista, porém jamais podemos deixar de nos esforçar na busca de uma melhoria contínua e de bons resultados. Sempre.

 

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