ÁREA DO ASSINANTE
Inscreva-se em nossa newsletter e fique bem informado!
Transfolha

 




Varejo de moda no Brasil: “fast fashion” e necessidade de investir em logística

Publicado em 31/07/2018

Segundo diretor da Diagma, investimento em Supply Chain pode trazer uma série de benefícios operacionais e econômicos para o segmento

A indústria da moda movimenta quase R$ 200 bilhões no Brasil, mas o resultado pode ser ainda maior com investimentos em Supply Chain e serviços. Essa é a visão da Diagma, consultoria francesa com operações locais que está se estabelecendo nessa área aqui no Brasil.

Segundo Aurélien Jacomy, diretor da Diagma no Brasil, o abastecimento da moda segue modelos próprios e específicos. “Porém, mesmo com a chamada tendência do fast fashion, é possível se diferenciar com logística nesse setor”, diz.

Aurélien explica que a principal vantagem da Supply Chain na moda foi permitir que as lojas se reabastecessem durante a coleção (primavera/verão ou outono/inverno), quando essa possibilidade ainda era limitada pelo fluxo tradicional de vendas, ditado muito mais pelo ritmo de produção do que pelo ritmo das vendas. “Investir em Supply Chain é a melhor aposta para as redes de moda que desejam disponibilizar para o consumidor o produto que ele quer, ao longo de toda a coleção”, explica Aurélien.

A chegada do fast fashion, que se baseia em produtos com curto período de comercialização, impediu a generalização da mudança na gestão da cadeia de abastecimento, alerta o diretor da Diagma. “No modelo do fast fashion, a cadeia de abastecimento oferece ao consumidor uma única chance de comprar o produto. Ao ir até a loja, ele sempre encontrará novidades, mas não terá a certeza de encontrar o produto que ele desejava”, alerta. É possível combinar fast fashion e qualidade de serviço.

O consultor enumera algumas medidas de Supply Chain que podem ser adotadas pelas redes de moda para melhorar o serviço ao lojista e, consequentemente, ao consumidor. “Mesmo no modelo fast fashion, a criação de um estoque otimiza a cadeia de abastecimento”, defende Aurélien, lembrando que algumas redes brasileiras, como Marisa e Riachuelo, começaram recentemente essa transformação.

“Nossa sugestão é que as empresas de moda pensem na criação de uma política de abastecimento a partir de um estoque, para parte de sua linha de produto, com uma logística de entrega mais ágil. É necessário, porém, criar esse estoque com cuidado, e refletir sobre os processos que serão impactados pela mudança, que passam pelo fulfillment e picking no centro de distribuição, e podem afetar inclusive franqueados”, completa o diretor.

 

Veja também: