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Para Roberto Vilela, presidente da RV Ímola, logística hospitalar melhora a saúde e contribui para a economia

“A ponta da cadeia não pode demandar a compra de remédios. Quem tem que demandar é o gestor”, explicita Vilela

Por Christian Presa | MundoLogística

Roberto Vilela, presidente da RV Ímola, sonhava ser médico. De origem simples, iniciou a vida profissional ainda jovem, aos 14 anos, como vendedor em uma loja de sapatos, trabalhou como office boy e se graduou em administração de empresas pela Faculdades Integradas de Guarulhos. Já adulto, entrou no ramo de imóveis no setor comercial da Bezerra Transportes, e ali nasceu o interesse pela logística. Após 22 anos, saiu da transportadora (que viu o carregamento de caminhões disparar de oito mensais para 44) e fundou a RV Consult, empresa de consultoria logística.

O sonho em trabalhar com saúde se concretizou de outra forma. Em uma consultoria na Amazônia, Vilela foi introduzido no ramo e, diante da carência do mercado, inseriu a RV Consult nesse segmento. Pouco tempo depois, adquiriu a Ímola, o então maior operador logístico de medicamentos no setor privado, que se tornou RV Ímola, hoje uma empresa especialista em gestão logística hospitalar. 15 anos depois, Vilela já venceu 14 prêmios na indústria farmacêutica e oferece consultoria pública e privada.

Em entrevista para a Revista MundoLogística, Vilela falou sobre a importância da gestão logística na área da saúde para contenção de gastos e otimização do serviço, da posição do Brasil no segmento e muito mais.

MUNDOLOGÍSTICA: O senhor é um dos pioneiros no segmento de logística voltada à saúde no Brasil. Qual a importância de prestar serviços que atendem toda a cadeia de suprimentos nesse setor?
ROBERTO VILELA:
Como empresa de soluções logísticas, é importante não nos limitarmos a uma fatia da cadeia, pois os caminhos logísticos são interdependentes.

Quais os cuidados e particularidades que a logística na saúde demanda?
São muitas regulamentações, compromissos com a qualidade, auditorias internas e externas. É uma área que exige inovação e adaptação às novas demandas e todas elas devem ser auditadas para nos certificarmos da qualidade.

Na RV Ímola, temos área de qualidade composta por profissionais especializados na área da saúde e que atuam em cima de todas as operações. São pessoas que auditam, assinam e entendem do processo da saúde. Também temos empresas terceirizadas que realizam a nossa auditoria.

De acordo com dados da OMS, cerca de 20% dos gastos dos hospitais são desperdiçados pela gestão incorreta dos medicamentos. Para atender a essa necessidade, a RV Ímola desenvolveu um sistema que acompanha individualmente cada remédio que entra nos hospitais e é entregue ao paciente. Como funciona esse sistema?
A partir do uso da tecnologia, fazemos a identificação unitária de todos os remédios que entram na unidade de saúde. Nela, os remédios são armazenados em estoques geridos por nós e cada unidade retirada do armazém é rastreada de forma que conseguimos fazer o acompanhamento até a entrega ao paciente. Com isso, torna-se impossível o sumiço de remédios dentro dos hospitais, um dos grandes vilões em desperdício de gastos nessas instituições.

Outro fator responsável por gastos indevidos é o descarte de medicamentos vencidos. Com a tecnologia desenvolvida pela RV Ímola, conseguimos gerenciar o estoque de forma a adquirir na medida certa a quantidade de medicamentos necessária por aquela unidade. Além disso, liberamos os remédios para uso de acordo com a data de validade, priorizando aqueles mais próximos do vencimento.

Quais os resultados obtidos pelos hospitais que a empresa atende com a inserção desse sistema?
O resultado é a redução de custos e do giro financeiro em estoque, uma vez que o hospital passa a ter menos capital empregado para manter o estoque, pois o sistema faz composição precisa, evitando a compra e excessos e o consequente desperdício.  

A RV Ímola também transformou a logística de distribuição de medicamentos na Amazônia. Como isso ocorreu e quais os desafios encontrados?
A mudança organizada pela RV Ímola foi a seguinte: antes, todos os medicamentos do estado do Amazonas eram concentrados na capital. Para chegar ao interior, representantes levavam notificações solicitando determinada quantidade de remédios. Estes eram entregues e, a partir de então, o Estado saía de cena e ninguém mais saberia que fim levariam aqueles medicamentos. Isso porque os representantes, responsáveis por levar os remédios até o interior, muitas vezes acabavam desviando os materiais, que não chegavam de forma adequada à população. Além disso, a falta de controle gerava ao Estado um gasto grande com desperdícios.

Foi então que a RV Ímola apresentou um projeto para que os remédios fossem levados à população de todo o interior. Para isso, realizou de maneira inédita um mapeamento de toda a rota fluvial da região. Fez um registro de todos os barqueiros que circulam pelos rios locais e criou um itinerário para a entrega periódica de medicamentos aos rincões da Amazônia.  Mapeamos cerca de 1,8 milhão de km² na região.

Quais os benefícios que esse projeto proporcionou?
Em 10 anos, esse projeto ajudou a reduzir em 45% os gastos com saúde local. O mesmo mapeamento permitiu ainda a realização de outros grandes projetos no estado, como a distribuição de mosqueteiros para o combate à malária e o transporte de urnas eletrônicas para as eleições.

No Brasil, quais os avanços que já foram obtidos na logística voltada à saúde e o que ainda precisa ser melhorado?
Precisamos avançar na área de inteligência e uso de tecnologia. É algo que funciona e os resultados estão aí para comprovar.

Na RV Ímola, entendemos que o foco deve estar no controle do consumo. Afinal, controlar compra é fácil, mas ela não garante o uso correto dos recursos. Não adianta comprar uma porção de medicamentos, estocá-los e depois aquilo sumir. É muito importante acompanhar quem usou aquilo, como e quando foi retirado, etc. Esse é o maior problema: saber quem consome. Será que os produtos estão indo para quem tem que receber?

A ponta da cadeia não pode demandar a compra de remédios. Quem tem que demandar é o gestor. Demandar apenas o que for necessário, controlando a utilização.

Quais projetos para esse segmento o senhor ainda pretende concretizar?
Estamos com muitos projetos em andamento, principalmente para o setor privado, hospitalar e armazenagem. Não posso detalhar, mas são voltados para hospitais e laboratórios no que diz respeito a armazenamentos. Na parte de próteses, por exemplo, temos que avançar nisso. Estamos estudando para trabalharmos soluções voltadas para essa área, buscamos importar tecnologia que desenvolva o nosso trabalho.

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