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Especialista explica como usar Blockchain na Logística

Stefan Rehm, fundador da Intelipost, descreve o funcionamento e implantação da tecnologia que é vista como o futuro de todos os processos

Por Christian Presa | Redação MundoLogística

Blockchain é a novidade que encanta e espanta pelo mesmo motivo: inovação. Um processo ainda incompreensível para muitos, o Blockchain é visto como uma tendência que deve crescer em velocidade meteórica nos próximos anos, atendendo à demanda de transformar a tecnologia em fator determinante nas mais diversas áreas.

Na Logística e Cadeia de Suprimentos – setores densos, complexos e muito operacionais –, a visão de ter um processo completamente virtual, sem nenhum referencial físico, parece uma ideia remota e muito distante da realidade. Com a crescente popularidade do Blockchain, fica a pergunta: como fazer essa combinação funcionar e prosperar?

Quem responde essa pergunta é o fundador da Intelipost, Stefan Rehm. Nascido na Alemanha, Rehm se formou em Administração na Holanda, passou por Harvard e fez mestrado em Gestão de Empresas pela HEC School of Management de Paris. Ele está no Brasil desde 2012, quando veio gerenciar operações de e-commerce e se deparou com os desafios e oportunidades relacionados à logística do país. Surgiu então a oportunidade de fundar a Intelipost, que desenvolve tecnologias para a gestão de transportes e tem clientes como a Renner, Boticário e Magazine Luiza.

Em entrevista exclusiva à Revista MundoLogística, Rehm fala sobre os trabalhos da Intelipost, o desafio de implantar o Blockchain na Logística e ressalta: É preciso acreditar, convencer e investir.

MUNDOLOGÍSTICA: Como, exatamente, surgiu a Intelipost?
STEFAN REHM: A Intelipost surgiu porque eu era Diretor de Operações em dois e-commerces onde nós montamos o CD e construímos um TMS para essas duas empresas. Durante esse processo, percebi que a logística é um desafio no Brasil. Como eu sou alemão, eu não havia presenciado essa complexidade na contratação de várias transportadoras. Aqui no Brasil, eu precisava contratar de cinco a dez transportadoras diferentes para entregar o nosso produto no país inteiro, enquanto na Alemanha a DHL resolvia tudo. Isso foi um grande choque para mim. E quando olhei o mercado, não vi nenhuma solução de tecnologia que nos atendia naquele momento. Decidi, então, sair dos e-commerces para criar uma solução própria para resolver o meu próprio problema. Com isso, criamos um TMS na nuvem, o primeiro desse tipo no Brasil, com diversas funcionalidades.

Quais os principais produtos da Intelipost?
Nós temos cinco produtos: cotação de frete, gestão de despacho, rastreamento das entregas, reconciliação das faturas e reembolso dos correios. A cotação de frete é um produto muito requisitado no e-commerce. Quando você entra em algum site e coloca um produto no carrinho, é preciso informar o CEP para calcular o custo e o prazo de entregas. Muitas vezes, além do custo, tem o preço, que é basicamente o custo + algumas regras comerciais. Nós integramos com mais de 300 transportadoras e [agora] fazemos uma cotação de frete em tempo real. São mais de 10 milhões de cotação de frete por dia. Por mês, são mais de 400 milhões. Já a gestão de despacho é toda a gestão do embarque do produto, começando pela impressão das etiquetas, romaneio até as notas fiscais para as transportadoras. Nós verificamos se tudo está indo bem com o embarque da empresa. O rastreamento das entregas é onde pegamos as informações das transportadoras, transformamos em um único padrão e devolvemos [essas informações] para os embarcadores. Criamos um gerenciador de eventos desse produto no qual a loja consegue parametrizar regras bem especificas dos eventos de rastreamento. Por exemplo, se tiver um atraso na entrega, [será enviado] um e-mail para o destinatário avisando sobre esse atraso, além de criar uma tarefa dentro do embarcador para verificar por que essa entrega está atrasada. O quarto produto é a auditoria [reconciliação] das faturas da transportadora. Vemos que pela alta complexidade da precificação do frete no Brasil, muitas faturas chegam com erros ou incompletas. Nós reconciliamos essas faturas com os contratos e apontamos qualquer divergência ou erro para que o embarcador possa consertar essa ocorrência junto com a transportadora. O último produto é o reembolso dos Correios, no qual o embarcador consegue recuperar uma parte do custo de frete se a entrega atrasar. Todos esses produtos agregam valor aos nossos clientes. Primeiro reduzem o custo do frete e da operação, aumentam a visibilidade do negócio em si e dos processos e aumenta o controle do que acontece em todos os processos, desde a cotação do frete até o reembolso da fatura.

Pode nos falar um pouco sobre o que é Blockchain?
O Blockchain é uma tecnologia básica, como se fosse um banco de dados distribuído e descentralizado entre vários participantes de uma rede. Isso significa que não tem nenhuma autoridade ou participante que consegue controlar ou manipular o que está gravado no Blockchain. Há uma dúvida sobre como os dados entram no Blockchain. Basicamente, o participante que quer inserir um dado no Blockchain precisa submetê-lo a uma rede, que fará a validação dessa transação por meio de um processo criptográfico e, caso validado, o dado entra na rede distribuída.

E como esse conceito pode ser aplicado à Logística e Cadeia de Suprimentos?
É importante entender que o Blockchain em si é uma tecnologia que pode ser usada para vários casos. Por exemplo, Bitcoin é um caso de uso do Blockchain para o mercado financeiro. No nosso mercado de logística, existem vários casos de uso. O Blockchain traz uma confiança nos dados gravados na rede porque não existe nenhuma empresa que consegue mexer nos dados. Uma vez gravado dentro do Blockchain, esse dado é acessível por todo mundo com acesso. Se alguém quiser alterar esse valor, todos os participantes precisam confirmar e autorizar essa mudança, que fica criada dentro do Blockchain. Com isso, todas as ações são visíveis para todos e isso traz uma certa garantia de que os dados são reais. Como é uma rede que conecta vários atores de um mercado, todo mundo se conecta e isso traz muitos benefícios de eficiência. Em vez de todo mundo precisar falar com todo mundo, cada um fala com a rede e isso se direciona para o resto do mercado. Isso influencia na velocidade e qualidade dos dados. Na Logística e na Cadeia de Suprimentos, nós estudamos cerca de 23 casos de uso junto com a IBM e ganhamos um prêmio deles de Blockchain que se chama IBM Smartcamp. Na sequência dessa conquista, trabalhamos com vários times dentro da IBM para estudar como é possível aplicar o Blockchain na Logística. Após a verificação desses 23 itens, fizemos um Hackathon [um encontro da empresa com outros agentes do mercado durante um fim de semana] para pensar sobre a aplicação na Logística. Então, fizemos um brainstorm para escolher os dois casos mais relevantes e programamos uma função produto para realizar esses dois casos de uso. Os dois principais casos que identificamos foram o rastreamento de cargas e a reconciliação das faturas, que ironicamente são dois produtos que hoje a Intelipost oferece. Ambos os casos são os mais relevantes e realistas para utilizar [o Blockchain] em pouco tempo aqui no Brasil.

O Blockchain poderia ser utilizado por qualquer empresa ou existe alguma limitação?
Em princípio, o Blockchain pode ser usada por qualquer empresa da cadeia Logística. Vendo os 23 casos de uso, as características entram em quase todos os aspectos [do setor]. Com certeza existem mais casos, mas não identificamos ainda. Não existe uma limitação, mas as empresas precisam entender os benefícios que o Blockchain traz e depois precisam convencer as diretorias, presidências e investidores que é algo benéfico para a operação. Depois, investir tempo e dinheiro para a implantação desta tecnologia.

Quais seriam os principais benefícios do Blockchain na Logística e na Cadeia de Suprimentos?
Os principais benefícios do Blockchain na Logística são também os principais benefícios do Blockchain no geral. No rastreamento de cargas, existe uma comunicação entre várias empresas dentro da cadeia para produzir os dados de rastreamento. Tem o embarcador, que no início do processo insere os dados da nota fiscal para o transportador, que recebe isso e emite um conhecimento sobre esse dado e passa a carga para frente. Em muitos casos, existe um processo de redespacho na cadeia, no qual uma segunda transportadora recebe o pacote da primeira e também emite um CTE [Conhecimento de Transporte Eletrônico] e coloca isso na mão de um motorista que, ao final, faz a entrega até o destinatário ou empresa, que precisa confirmar o recebimento dessa carga para todo mundo na cadeia. Ou seja, nesse caso já existem [cerca de] quatro empresas envolvidas, que precisam trabalhar com os mesmos dados e uma depende da outra. Obviamente, o prejuízo fica na qualidade e velocidade dos dados, mas o Blockchain consegue entrar com o benefício claro da informação desses dados e assim acelerar o processo como um todo, diminuindo a quantidade de erros e ocorrências que acontecem na própria entrega. No segundo caso de uso [reconciliação das faturas], o benefício é a garantia da segurança da informação, porque tudo que envolve reconciliação também envolve o pagamento do frete e pagamento é sempre uma coisa delicada entre embarcador e transportadora. Muitas vezes, ambas as partes acabam discutindo os valores a serem pagos no fim do mês por não terem uma precificação clara na contabilização. Usando o Blockchain, esse processo será automatizado. A transportadora coloca o contrato assinado no Blockchain, o embarcador confirma e, depois disso, cada entrega entra como uma informação gravada no Blockchain e ao final do mês é [preciso] apenas somar todas as entregas. Não tem mais discussão sobre qual o valor da fatura ou se tem ou não tem desconto. Assim, conseguimos substituir um processo que hoje é extremamente manual e cheio de desencontros para algo automatizado e confiável.

A Intelipost já possui algum produto ou serviço nesse sentido?
Nós estamos desenvolvendo aqui na Intelipost junto com os nossos parceiros o Blockchain do rastreamento de entregas e os nossos clientes podem usar esse serviço. Porém, para se beneficiar realmente, eles precisam entrar ativamente no Blockchain. Não é apenas uma contratação do nosso serviço, mas sim um investimento e participação dentro desta rede.

Mais algo que gostaria de acrescentar?
O Blockchain hoje em dia é um assunto todos discutem e surgem muitas dúvidas, mas atrai muita curiosidade sobre o que é e como pode ser aplicado. É algo que é relevante para muitas pessoas. Mas, por ser tão novo, não existe um grande entendimento dessa tecnologia e, por isso, ainda há pouca realidade. Estamos vendo milhares de projetos sendo executados, mas estamos na fase anterior da divulgação e apresentação dessa tecnologia e na adaptação dos early adopters [pessoas ou instituições que são pioneiras na adoção de novas tecnologias, serviços e comportamentos]. Somos os primeiros a realmente entrar no assunto, tanto do lado de negócio quanto do lado de tecnologia, e estamos avançando nos conceitos disso junto com a Abralog (Associação Brasileira de Operadores Logísticos) e outros parceiros do mercado. Um dos nossos objetivos é gerar atenção e entendimento dessa tecnologia porque estamos convidando quem tiver interesse nesse assunto a nos contatar e entrar na conversa do Blockchain no Brasil. Estamos construindo um Blockchain da logística fracionada porque eu acredito que em cinco ou dez anos essa tecnologia será dominante no setor, regulamentando e automatizando os nossos processos no futuro.

 

Para entrar em contato com a Intelipost, acesse o site https://www.intelipost.com.br/ ou pelo telefone (11) 3385-0700.

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