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Entrevista com o gerente-geral da Aliança Navegação e Logística, Marcus Voloch, sobre a nova campanha da empresa para desmistificar a cabotagem

Nova campanha da Aliança Navegação e Logística visa desmistificar a utilização da cabotagem
A ideia é mostrar como o serviço é simples e oferece uma série de vantagens, como a integridade da carga e o baixo índice de avarias, com menos custos e mais competitividade para as empresas


Por Viviane Farias | Redação MundoLogística

Fundada em 1950 por Carl Fisher, a Aliança Navegação e Logística foi adquirida pelo Grupo Oetker, também proprietário da Hamburg Süd, em 1998. Um ano depois, a empresa retomou o transporte de cabotagem, no Brasil, que, até então, era subutilizado. Entre 2013 e 2014, a Aliança reestruturou a sua frota de cabotagem com um investimento de R$ 700 milhões, na compra de seis navios porta-contêineres, com capacidades que variam de 3.800 TEUs a 4.800 TEUs. Atualmente, a empresa conta com 11 navios em operação no serviço, com amplo atendimento em 15 portos de Buenos Aires até Manaus, e um total de 104 escalas mensais.

Com uma carteira de clientes que vai do arroz ao zinco, com grandes, pequenas e médias empresas, e em praticamente todos os segmentos do mercado, a Aliança, no ano passado, obteve um faturamento de R$ 3,3 bilhões e movimentou 673 mil contêineres. Além disso, a empresa tem forte atuação no mercado externo, com 25 navios porta-contêineres, que fazem a rota internacional, distribuídos em nove serviços, e oferece o transporte de granéis (fertilizantes, grãos e minérios), no qual são utilizados oito navios, com capacidade de 38 mil a 45 mil toneladas.

Recentemente, a Aliança lançou o Portal da Cabotagem (e-commerce), que pode ser acessado pelo site da empresa (www.alianca.com.br), no qual o cliente pode realizar as cotações online, a solicitação de bookings e a emissão de faturas, rastrear as cargas e checar a posição dos navios. A empresa também está divulgando a nova campanha: “Descubra o que a cabotagem pode fazer pelo seu negócio”, visando desmistificar a utilização da cabotagem.

Para falar sobre essas novidades, a MundoLogística entrevistou o gerente-geral de Cabotagem e Mercosul da Aliança, Marcus Voloch, que iniciou a sua carreira profissional em 1996, na empresa brasileira Transroll Navegação, cujos serviços foram adquiridos pela Aliança, em 1999. Desde então, atuou, entre outras funções, como gerente de Vendas e gerente de Produto para os trades internacionais da Aliança e da Hamburg Süd. Em 2008, foi transferido para a matriz da Hamburg Süd, em Hamburgo, na Alemanha, onde se tornou responsável pela supervisão dos serviços interamericanos da Hamburg Süd e, em 2015, assumiu o seu atual cargo, em São Paulo.

MUNDOLOGÍSTICA: Qual a importância da cabotagem para o mercado logístico e de transporte brasileiro?
MARCUS VOLOCH: A matriz brasileira de transporte é largamente dependente do modal rodoviário. Sem entrar nos motivos históricos que culminaram nessa dependência, podemos afirmar que se trata de uma matriz cara, pouco sustentável e ineficiente. Em comparação com o transporte rodoviário de longa distância, a cabotagem apresenta diversas vantagens, entre elas a sustentabilidade, uma vez que, a cada semana, a cabotagem da Aliança elimina cerca de 2.500 viagens de caminhão, nas estradas brasileiras, reduzindo consideravelmente a emissão de gases causadores do efeito estufa, e o social, porque em vez de um caminhão e seus motoristas efetuarem um transporte por vários dias e milhares de quilômetros, a cabotagem requer dois transportes curtos, entre a fábrica do embarcador e o porto mais próximo e, no destino, entre o porto de descarga e o recebedor. Com isso, evita-se o deslocamento por longas distâncias e períodos de tempo, fazendo com que os motoristas possam passar mais tempo perto de suas famílias e o caminhão faça mais viagens, porém, mais curtas. Além disso, proporciona economia, pois o transporte por cabotagem é cerca de 15% mais econômico do que o transporte rodoviário para médias e longas distâncias, e segurança, visto que praticamente inexistem roubos de carga no transporte por cabotagem, e a incidência de avarias é substancialmente menor do que o transporte terrestre.

A Aliança lançou uma campanha que visa desmistificar a utilização da cabotagem. Como foi estruturada essa nova campanha?
A cabotagem é bastante conhecida entre as grandes empresas, principalmente, as já inseridas no contexto do comércio exterior brasileiro, acostumadas ao uso do contêiner e às escalas semanais de navios nos portos. Empresas menores, no entanto, têm pouco conhecimento sobre os benefícios e a competitividade que a cabotagem pode trazer para os seus negócios e, principalmente, como é simples trabalhar com a Aliança. A campanha foi estruturada por meio de oito pontos principais e vantagens, de maneira rápida, competitiva, sustentável e segura, entre eles a simplicidade, a coleta e entrega de porta a porta, o menor índice de avarias, a rastreabilidade em qualquer ponto, o mais limpo e eficiente modo de conectar distâncias, cuida de todas as etapas do processo, a frota renovada com 11 navios em operação contínua e a redução do custo da cadeia logística.

De que maneira a Aliança busca mostrar a acessibilidade que a cabotagem oferece?
A nossa ideia é mostrar como o serviço é simples e oferece uma série de vantagens, como a integridade da carga e o baixo índice de avarias, a redução significativa de custos em relação ao modal rodoviário, além de permitir mais competitividade para algumas empresas, que sequer imaginavam levar os seus produtos a localidades distantes e com preço competitivo. Atualmente, a Aliança disponibiliza 11 navios, alocados em quatro anéis, com escalas semanais em dias fixos, nos principais portos do Brasil e Mercosul. Em 2014, a companhia renovou a frota com a aquisição de seis navios, em um total de R$ 700 milhões. São embarcações adequadas à navegação brasileira, mais largas, com 38 m de boca e 12,5 m de calado a plena carga.

Qual a expectativa da Aliança com relação aos resultados dessa campanha?
A expectativa é reforçar as vantagens da cabotagem, estimulando a utilização do modal como uma forma de reduzir os custos e investir na sustentabilidade, além de oferecer mais segurança à carga.

A Aliança lançou também um e-commerce. Quais os serviços e as facilidades desse e-commerce?
Por meio desse canal de atendimento, o cliente poderá realizar cotações online, solicitação de bookings e emissão de faturas, bem como rastrear as cargas e checar a posição dos navios. O portal está em constante aprimorando e permitirá que novas funcionalidades sejam incorporadas, para tornar o atendimento ao cliente mais fácil e eficaz.

Quais os planos e projetos futuros da Aliança?
Ainda dentro do contexto de e-commerce, estamos trabalhando para que o cliente possa gerenciar, pelo nosso portal, todas as etapas de seu transporte, do pedido de coleta à confirmação da entrega ao cliente final. O portal permitirá ao cliente emitir relatórios sob medida e será integrado, também, aos nossos provedores de serviço, trazendo mais agilidade e confiabilidade às informações. No contexto geral do serviço, a partir de maio, aumentaremos o escopo de atuação do nosso Anel2, que se tornará um serviço expresso ligando Santa Catarina e São Paulo aos mercados de Pernambuco, Bahia e Espírito Santo. Recentemente, ampliamos a nossa atuação na Argentina, com mais capacidade e regularidade, com escalas semanais em Puerto Madryn, Puerto Deseado, Bahia Blanca, Rosário, Zarate e Buenos Aires. Além disso, estamos implantando um novo sistema de gerenciamento logístico, com “torres de controle”, monitorando em tempo real o deslocamento de todos os veículos em terra. Esse sistema trabalha com um algoritmo que permite as ações preventivas, a fim de eliminar os atrasos de agenda e minimizar as situações de risco para o motorista e a carga.

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