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Entrevista com Marcos Jose Setim sobre o sistema de monitoramento de cargas da ALL

Marcos Jose Setim

Sistema de monitoramento da ALL permite o acompanhamento, em tempo real, da carga
Essencial para o dia a dia operacional dos trens, processo facilita o acompanhamento da movimentação desde a entrada da carga no vagão até a descarga, podendo prever atrasos e aumentar a segurança

Por Viviane Farias | Redação MundoLogística

Criada em 1997, com a concessão da Rede Ferroviária Federal (FFSA), para atuar na malha Sul do Brasil, a América Latina Logística S.A. (ALL) possui uma grande variedade de serviços, que oferece por meio da ALL Operações Ferroviárias, Brado Logística, Ritmo Logística e Vetria Mineração.

Recentemente, a companhia desenvolveu um novo sistema de monitoramento de cargas desde o carregamento até serem entregues ao cliente e descarregadas. Para explicar, de maneira mais detalhada, como ocorre esse processo, a MundoLogística entrevistou o coordenador de Sistema de Licenciamento de Trens da ALL, Marcos Jose Setim, que abordou o funcionamento da torre de comando de um trem, o monitoramento, os sistemas de controle, entre outros assuntos.

MUNDOLOGÍSTICA: Como funciona a torre de comando de um trem?
MARCOS JOSE SETIM: A torre de comando é o nosso Centro de Controle de Operações (CCO). O CCO funciona na sede da ALL, em Curitiba, onde toda a circulação de trens é controlada mediante licenças de circulação, que autorizam os trens a circular na malha ferroviária. Toda essa comunicação é realizada por meio de satélite ou via rádio.

Como é o processo de monitoramento da carga desde a entrada no vagão até a descarga?
O processo de monitoramento inicia-se no carregamento da carga, via TL ou Sispat. Nessa fase do processo, a carga é monitorada nesses dois sistemas, a partir do carregamento da carga no vagão, estando pronto para ser colocado em um trem (montagem da composição: locomotivas + vagões). Logo que esse processo é concluído, o trem está pronto para circular. O CCO passa, então, a monitorar a carga durante todo o trajeto, por meio da comunicação via satélite ou rádio. Por fim, quando o trem chega ao destino, é entregue ao cliente e descarregado no sistema TL, fechando o processo de monitoramento da carga.

Explique-nos o que é o Translogic?
O Translogic é o Enterprise Resource Planning (ERP) ferroviário da ALL, no qual os ativos do trem (vagão, locomotiva, EOT), o processo de faturamento e de indenização, o carregamento e o descarregamento são geridos.

Todo o processo do trem é controlado por diversos sistemas. Como esses sistemas se interligam?
Os sistemas da ALL conversam entre si para garantir a integridade das informações. Eles se comunicam via base de dados. 

De que maneira podem-se prever atrasos e aumentar a segurança?
Na circulação, há o Px (planning e execution), nosso sistema de planejamento e execução. Esse sistema otimiza o planejamento do cruzamento de todos os trens no futuro, permitindo a visualização da data e hora estimada de chegada ao destino, respeitando o cenário atual da malha (parecido como o que o Google Maps faz na estimativa de chegada ao destino, com base no tráfego). 

Quais os benefícios que esse monitoramento da carga proporciona?
Previsibilidade da chegada, possibilidade de medidas, correções proativas e acompanhamento, em tempo real, da carga.

Descrição do processo:
O processo de monitoramento da carga é iniciado com a descarga dos produtos no silo. Na sequência, o vagão é carregado no sistema de terminais (Sispat), que envia para o Translogic o Electronic Data Interchange (EDI) de faturamento. Nesse momento, o faturamento é gerado, caso as informações de peso líquido do produto estejam dentro dos parâmetros de segurança para o vagão. Quando o faturamento é gerado, o SAP recebe todas as informações, além da geração do Conhecimento de Transporte Eletrônico e do Manifesto Eletrônico de Documentos da Secretaria da Fazenda (Sefaz). Por fim, o vagão está pronto para ser usado na montagem da composição (vagões + locomotivas) que circulará. A montagem é realizada por meio do uso do software de Centro de Controle de Pátio, no qual é registrado onde os vagões e as locomotivas estão no pátio, além da formação (ordem) no trem. Tal procedimento garante que os vagões sejam montados de forma segura, sem exceder as regras de formação de composição.

O processo continua após a montagem da composição. Nesse momento, é iniciado todo o controle da circulação da composição pela malha. O ATW é utilizado pelo controlador para enviar as licenças de circulação nas seções de bloqueio. Esse é um dos processos críticos do CCO, pois são enviadas todas as informações para o maquinista sobre a sua concessão de circulação na seção de bloqueio (velocidade permitida, restrições de velocidade, boletins de turmas de via estão executando serviços) etc. Além disso, o CCO utiliza o Px para planejar e otimizar a circulação de trens sobre a malha da ALL. Por fim, a comunicação CCO versus maquinista ocorre por troca de mensagens, que são enviadas/recebidas pelo trem, utilizando satélite (Autotrac) ou rádio (tetra). Todo o processo do trem é controlado por vários sistemas integrados, que garantem a segurança ferroviária.

 

 

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