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Sobre a ferocidade do Chicote

Quando causa e efeito estão separados no tempo, nosso cérebro se confunde.

A separação não precisa ser muito grande. Se a água está fria e giramos a torneira de água quente, não esperamos muito. Se ela não esquentar, giramos mais. E mais, e mais. Quando vem o efeito da primeira girada, as outras já estão a caminho. A água fica quente demais.

Esse mecanismo simples, causado pelo delay entre causa e efeito, é a causa fundamental de uma série de encrencas que enfrentamos na vida.

Para nós logísticos ele está escancarado no famoso Efeito Forrester, bem mais conhecido como Efeito Chicote. Ele tem este nome porque pequenas variações na demanda do consumidor final (imagine um pequeno movimento de pulso no cabo do chicote) podem ter efeitos devastadores ao longo da cadeia (a ponta do chicote).

Falta de informação ao longo da cadeia, desconfiança entre os elos e ausência de uma estratégia comum são causas comumente citadas para o Efeito Chicote, mas o efeito do lead time é a mais mortal de todas.

Peter Senge explorou muito o impacto do lead time na sua genial obra A Quinta Disciplina. Não à toa todo o início do livro é dedicado a explorar um jogo de negócios muito popular chamado Beer Game, que simula justamente o Efeito Chicote na cadeia de suprimentos.

A esta altura, muito pouco do que escrevi até aqui deveria ser novidade para os profissionais da nossa área. E ainda assim incrivelmente o problema continua lá. Parece até estar cada vez maior, não importa o quanto evoluímos em ferramentas de comunicação, gestão, etc.

Qual é o problema então? Na minha visão é simples, estamos atacando os sintomas e não as causas. Estamos automatizando o que não é muito bom. E você sabe né, automatizar o que não é muito bom só garante coisas não muito boas mais rápido.

Ferramentas de comunicação de última geração, big data, inteligência artificial, tudo isso pode ajudar horrores, desde que saibamos fazer a pergunta correta. Se não dá para reduzir o lead time físico, como fazemos para, usando essa informação toda, não nos perdermos entre o pedido e a entrega? Colaboração, visão sistêmica (dentro e fora da empresa), estratégia forte e muita, muita disciplina.

Banal? Deveria ser.

 

Rodrigo Acras

Por Rodrigo Acras

É consultor Sr. de TOC e Processos (BPM) no grupo Malwee. Já atuou como gerente Sr. de Supply Chain – Logística, Logística, Planejamento, S&OP e Compras no grupo Malwee e nas áreas de engenharia de controle, engenharia de processos, produção, manutenção e supply chain em empresas como Tritec Motors (BMW & Chrysler), Renault e GVT/Telefônica. Professor e consultor associado no Instituto nomm.

 

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