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Só lembram da logística quando há problemas

Existe uma frase comum no nosso meio, mais ou menos assim, “quando está tudo certo, ninguém lembra da logística, quando dá problema todo mundo cai matando”.

Já escutei isso um milhão de vezes, e até concordo com a frase, mas com um pouco mais de experiência é fácil perceber que essa frase aparece em qualquer área das empresas, sem exceção. Todo mundo acha que é o patinho feio.

Deixando o vitimismo de lado (e tem de montes), a meu ver a causa disso é relativamente simples. Somos tão acostumados a trabalhar sem conexão, separados em feudos organizacionais, que é difícil enxergar como o valor é criado ao longo do processo. As contribuições das áreas se perdem em indicadores locais, e a sensação de que quando está tudo certo ninguém lembra de mim é porque simplesmente eu não quero que ninguém se lembre de mim. Aliás, a maioria nem entende o que eu faço. Assim é o comportamento feudal.

Agora, quando o caldo engrossa e o processo quebra, deixa de ser uma questão de indicador. Alguém para. E se alguém para, outro alguém vai querer saber o porque. Nesses casos, achar o culpado é primordial. Aí todos se lembram que você existe. Dedos precisam ser apontados.

A solução existe, e não é nova, mas requer coragem para uma mudança de cultura significativa na empresa. Ao enxergar o negócio como um conjunto de processos e não de departamentos, ao se buscar ótimos globais e não locais, ao utilizar indicadores do cliente e não dos feudos, um novo mundo se abre para a gestão eficaz da supply chain e da logística. Não podemos confundir o processo de supply chain, um dos maiores e mais importantes de qualquer organização, com a área de supply chain. Esta segunda é importantíssima, mas não é um fim por si só.

Faça o teste! Da próxima vez que visitar uma empresa, pergunte como ela funciona. Se te mostrarem o organograma, é porque a coisa não está em um bom caminho. Responda que não perguntou quem manda em quem, mas como a empresa funciona. Agora, se responderem mostrando um desenho de processo, deixe o seu CV por lá.

 

Rodrigo Acras

Por Rodrigo Acras

É consultor Sr. de TOC e Processos (BPM) no grupo Malwee. Já atuou como gerente Sr. de Supply Chain – Logística, Logística, Planejamento, S&OP e Compras no grupo Malwee e nas áreas de engenharia de controle, engenharia de processos, produção, manutenção e supply chain em empresas como Tritec Motors (BMW & Chrysler), Renault e GVT/Telefônica. Professor e consultor associado no Instituto nomm.

 

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