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Amazon e a logística

Outro dia li uma manchete no LinkedIn do tipo “Amazon não é uma empresa de varejo, mas de logística”.

Claro, para nós logísticos os olhos brilham. Mas fora o sensacionalismo da chamada, pouco tem de verdade nesta afirmação. A Amazon é uma empresa de varejo, e nunca perdeu este foco, mas ela sabe quem é seu cliente, e sabe que ele não está nem um pouco interessado em pagar por suas ineficiências, então investe horrores para ter o menor desperdício possível em atividades que não agregam valor algum para o cliente final.

E meus amigos, lamento informar, logística é puro desperdício. Do ponto de vista de que, se houvesse maneira, não existiríamos.

Gosto bastante de olhar os 7 desperdícios do Sistema Toyota de Produção. Lembra? Transporte, Estoque, Movimentação, Espera, Processamento, Excesso de Produção e Defeitos. Os 3 primeiros basicamente definem a logística.

Ou seja, no final das contas existimos para nos eliminarmos.

Agora, o que levou à manchete da primeira linha? Simples, se você mapeia a vida do teu cliente (pode usar BPM, VSM, o que quer que seja) e entende o que ele enxerga como desperdício, e assume a missão de eliminar isso da vida dele (mesmo que virtualmente impossível eliminar, a busca pode te levar a níveis excelentes), ele vai pagar o mesmo preço pelo teu produto, mas a percepção de valor é muito maior.

O resumo é, você tira uma encrenca da vida do cliente, não cobra ele por isso, ele percebe que está recebendo mais valor pelo que comprou, compra mais de você do que dos outros.

O valor percebido é tão grande, que começam a confundir as coisas a ponto de anunciar que a Amazon se tornou uma empresa de logística. Na verdade, já não faz mais diferença.

 

Rodrigo Acras

Por Rodrigo Acras

É consultor Sr. de TOC e Processos (BPM) no grupo Malwee. Já atuou como gerente Sr. de Supply Chain – Logística, Logística, Planejamento, S&OP e Compras no grupo Malwee e nas áreas de engenharia de controle, engenharia de processos, produção, manutenção e supply chain em empresas como Tritec Motors (BMW & Chrysler), Renault e GVT/Telefônica. Professor e consultor associado no Instituto nomm.

 

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