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A extinção do profissional de logística tradicional

“Nossa maior missão como profissionais de logística e supply chain deveria ser a auto extinção”. Uma frase exagerada, que sempre uso em sala de aula ou com minhas equipes. Por trás dela, um conceito simples, logística na essência contempla alguns dos 7 desperdícios listados pelo pessoal do Lean. Se é desperdício, deve ser eliminado.

Completo a frase, para deixar o povo com menos vontade de me matar, dizendo, “mas isso não é possível, pois ainda não inventaram o teletransportador”. Lead Time, o motivo de existirmos, seria eliminado, ou radicalmente reduzido com o sonhado aparelho de Star Trek.

Muito bem, minha frase está obsoleta. Ou pelo menos a tecnologia para deixa-la obsoleta está decolando. Ao invés de teletransportarmos matéria, inventamos uma maneira de transportar bits e materializa-los onde queiramos. As impressoras 3D, onde aplicadas, levam o Transit Time a zero. E o TT é uma parte importante do LT.

Isso significa que seremos extintos? Seria essa a nossa chuva de meteoros? Não creio.

Claro que essa tecnologia terá impactos enormes e positivos na gestão de estoques, de transportes e na postergação da diferenciação (e a decorrente agregação estatística, sempre muito bem-vinda).

Por outro lado, os desafios de colaboração na cadeia de valor tendem a aumentar, uma vez que a produção será cada vez mais descentralizada, as equipes montadas por projeto e os ativos estarão em mãos de terceiros especializados. O mundo líquido, descrito por Zygmunt Bauman, onde as relações escorrem pelos dedos, traz esses desafios embutidos.

A nova cara do profissional de logística e supply chain terá cada vez menos que ver com gestão de ativos (transportes, sites produtivos, estoques) e cada vez mais com gestão de redes de relacionamento e colaboração. Aquelas teorias de planejamento colaborativo, fantásticas no papel, mas com poucos cases práticos verdadeiramente bem-sucedidos, agora vão virar realidade, quer queiramos quer não. Estamos preparados?

 

Rodrigo Acras

Por Rodrigo Acras

É consultor Sr. de TOC e Processos (BPM) no grupo Malwee. Já atuou como gerente Sr. de Supply Chain – Logística, Logística, Planejamento, S&OP e Compras no grupo Malwee e nas áreas de engenharia de controle, engenharia de processos, produção, manutenção e supply chain em empresas como Tritec Motors (BMW & Chrysler), Renault e GVT/Telefônica. Professor e consultor associado no Instituto nomm.

 

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