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Nunca foi tão difícil: Um retrato forte da Logística em 2017

 

Sempre se falou muito- e com razão- do grau ímpar de adversidade em se fazer logística no Brasil. Porém, neste 2017 temos visto acontecimentos que farão este ano ficar marcado como aquele em que o grau de criticidade dos gargalos chegou a um patamar inédito. Nas conversas com empresários da área e clientes, é consenso que estamos em um momento limite e insustentável. Ou seja, faz-se urgente um ponto de virada.

"Hoje, eu afirmo sem medo de errar: são tantos fatos graves impactando a logística, que só não ocorre um colapso total de operações por uma simples razão: não existe demanda."

Veja por que já pode-se afirmar que o ano de 2017 será lembrado pela comunidade logística como aquele que nunca terminou:

Aumento de impostos
O aumento da alíquota de PIS/Cofins sobre o diesel, anunciado pelo governo esta semana deve impactar os custos do frete rodoviário na faixa de 2,5% a 4%. O efeito? Em muitos casos, diante de uma demanda enfraquecida haverá ( mais ) perda na já comprometida margem de lucro dos transportadores, diante da dificuldade de repassar aumentos de preço do frete para a indústria e varejo;

Explosão da violência
Em meu texto anterior, detalhei que o roubo de cargas está levando a uma inédita greve dos transportadores de carga no RJ e que o aumento dos custos totais de transportadores com o gerenciamento de riscos chega a 30%. Esta problemática tem abrangência nacional;

Infraestrutura (já precária) se deteriorando
A área de Transportes foi uma das principais a sofrer cortes bilionários no Orçamento da União para 2017, e o investimento público em infraestrutura é o menor em 15 anos. Com isso, o desgaste de pneus em nossas estradas já está acima 25% acima da média mundial, as estradas se deterioram e o desenvolvimento dos outros modais ficou no papel- hoje quase 70% do volume transportado no Brasil é feito por rodovias. O Brasil já gasta o equivalente a 11,6% do PIB com logística em rodovias, é o famoso "Custo Brasil";

Incerteza política travando investimentos
Mediante escândalos de corrupção e falta de legitimidade do Governo Federal, os investimentos estrangeiros em infraestrutura de portos, aeroportos, estradas, concessões e indústrias do segmento logístico voltaram a se estagnar, e as obras existentes também estão sendo impactadas com atrasos que podem chegar a um ou dois anos. O investidor é pragmático: segura o desembolso quando percebe incerteza e risco;

O que fazer?
Tenho dito que os caminhos para as lideranças do segmento logístico são claramente: reduzir ao máximo os custos fixos, buscar a diferenciação em relação aos concorrentes, reduzir perdas e estoques, aumentar a produtividade, ter uma estratégia nas compras de insumos, buscar excelência no atendimento através de uma equipe motivada, planejar detalhadamente suas atividades no longo prazo.

Outra certeza
Na retomada da economia, haverá imensas dificuldades nos portos, aeroportos, estradas e Centrais de Distribuição do Brasil. Nosso país não está pronto para voltar a crescer em demandas, e por isso é fundamental que as lideranças se antecipem agora na busca de eficiência.

Então, se você como eu é empresário, executivo, líder ou um trabalhador da cadeia logística no Brasil, receba meu abraço e o reconhecimento pela sua capacidade única de superar dificuldades.

 

Luís Eduardo Ribeiro

Por Luís Eduardo Ribeiro

Diretor Executivo da LELO Logística e Operações ( www.lelolog.com.br ), que oferece suporte completo de consultoria e gestão para a logística de ponta a ponta. Já conduziu projetos com foco em otimização de operação e transportes, redução de custos, terceirização com operadores logísticos e aumento do nível de serviço oferecido a clientes em empresas como DHL, Carrefour, Ponto Frio e bioMérieux. Planejou e executou a logística de alimentos para 152 bares em 17 Arenas das Olimpíadas RIO-2016. Foi eleito Profissional de Logística do Ano em 2010 - prêmio da MundoLogística.

 

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