ÁREA DO ASSINANTE
Inscreva-se em nossa newsletter e fique bem informado!
Transfolha

 




O impressionante desabafo de um caminhoneiro

 
Era uma pausa em reunião nas operações de um cliente. No pátio, parei para conversar com um motorista de caminhão que aguardava descarga. Gosto de estar no chão da operação, de ouvir e entender as pessoas que fazem acontecer. Mas o que seria uma rápida interação se transformou em um comovente desabafo- a identidade dele vou preservar. Apenas leia.
 
"Somos pessoas descartáveis. Ninguém se importa conosco. A percepção de todo mundo sobre um motorista de caminhão é que entupimos o tráfego, bloqueamos o caminho, poluímos o meio ambiente. Nós somos como policiais. Todo mundo precisa de nós, mas ninguém nos quer.
 
Antes do transporte, eu fazia eletrônica, mas não conseguia pagar as contas. O tempo todo estamos olhando para o relógio. Se você for pego em um engarrafamento por quatro horas, isso significa quatro horas de improdutividade. Ou se você for pegar uma carga e essas pessoas demorarem cinco horas para descarregar o caminhão, elas mataram cinco horas do seu dia. E não estão nem aí, pelo menos a maioria nem liga em te fazer esperar por horas! O relógio está correndo, o relógio está correndo. Tenho que ir, cara, tenho que ir! Não posso parar."
 
Percebi que os motoristas de caminhão se sentem sozinhos e descartáveis. Como tantas outras, uma profissão essencial para a cadeia de suprimentos que frequentemente é pouco valorizada por organizações e sociedade.
 
No Brasil, são cerca de dois milhões de caminhoneiros. O que seria de nossa economia e consumo sem eles?
 
 
Luís Eduardo Ribeiro

Por Luís Eduardo Ribeiro

Diretor Executivo da LELO Logística e Operações ( www.lelolog.com.br ), que oferece suporte completo de consultoria e gestão para a logística de ponta a ponta. Já conduziu projetos com foco em otimização de operação e transportes, redução de custos, terceirização com operadores logísticos e aumento do nível de serviço oferecido a clientes em empresas como DHL, Carrefour, Ponto Frio e bioMérieux. Planejou e executou a logística de alimentos para 152 bares em 17 Arenas das Olimpíadas RIO-2016. Foi eleito Profissional de Logística do Ano em 2010 - prêmio da MundoLogística.

 

Veja também: