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Furacão Irma, a logística e os desastres naturais

O Furacão Irma, que já causou destruição e mortes em Cuba, chegou e está avançando sobre os Estados Unidos. Mais de um quarto da população da Flórida recebeu ordem para sair de casa – são seis milhões de pessoas. As filas para comprar garrafas d’água e alimentos são enormes, e muitas vezes decepcionantes, já que os estoques das lojas e mercados não suportam o pico de demanda.

A logística em desastres naturais é de alta complexidade em função da dificuldade de se prever a ocorrência, intensidade e duração. A prioridade deixa de ser comercial e passa a ser salvar vidas. Estamos já falando de forças militares especializadas e de entidades humanitárias (em especial ONU e Cruz Vermelha), além da própria mobilização da sociedade civil. É importante também destacar que companhias logísticas globais, como DHL, Fedex e UPS, em muitas situações se mobilizam no apoio operacional a estas calamidades.

Alguns aspectos críticos deste tipo de operação:

Previsão de demanda
A previsão de demanda é incerta tanto em quais itens serão mais necessários em cada categoria (roupas, alimentos, remédios, combustíveis etc) quanto nos recursos de pessoas e equipamentos que serão destinados ao atendimento emergencial. É também uma demanda que pode mudar rapidamente e que a disponibilidade de material depende muitas vezes de ofertas. No entanto, já existem padrões internacionais para precisar valores. Por exemplo: cada vítima necessita entre 7,5 e 15 litros de água para beber, cozinhar e lavar, 2,1 mil calorias por dia e 3,5 m² de abrigo.

Armazenagem
A armazenagem é quase sempre temporária por causa das condições precárias de infraestrutura nos locais afetados, com pouca ou nenhuma informatização.

Prazos das entregas
O atendimento precisa ser feito em prazos extremamente curtos e existe alto risco envolvido para chegar a áreas instáveis. Essa operação ocorre em meio a chances de deslizamentos e desmoronamentos, por exemplo.

Gargalos de trânsito
Com os alertas de evacuação, o deslocamento para outras cidades e estados se torna extremamente difícil.

Tráfego aéreo
À medida que o furacão é atualizado para nível cinco, o mais crítico da escala, as companhias aéreas e seus hubs deixam de funcionar, sendo forçados a cancelamentos massivos de voos. A circulação de pessoas e mantimentos se torna dramática.

Postos avançados de logística
Esses postos se tornam imprescindíveis nas áreas de desastres. Ali é preciso ter pessoal treinado, armazenamento para remédios, tendas e material de resgate.

Tecnologias de localização
Tecnologias como o Google Maps facilitam na busca dos desabrigados, na checagem de ruas ou estradas bloqueadas. Isso representa um ganho de produtividade que pode ser a diferença nos resgates com vida.

Transparência
Todas essas atividades precisam estar sob uma gestão que garanta prestação de contas e transparência no emprego dos recursos doados por entidades diversas, de forma a garantir que o objetivo da doação foi de fato alcançado.

Cabe aqui também uma reflexão sobre o Brasil, que tem as mazelas de enchentes, secas e racionamento de água e que até hoje não possui planos robustos de gerenciamento de riscos/resposta a desastres naturais. Já passou da hora do Brasil começar a monitorar nossos desastres e como eles afetam não só a população, mas também a cadeia produtiva.

Luís Eduardo Ribeiro

Por Luís Eduardo Ribeiro

Diretor Executivo da LELO Logística e Operações ( www.lelolog.com.br ), que oferece suporte completo de consultoria e gestão para a logística de ponta a ponta. Já conduziu projetos com foco em otimização de operação e transportes, redução de custos, terceirização com operadores logísticos e aumento do nível de serviço oferecido a clientes em empresas como DHL, Carrefour, Ponto Frio e bioMérieux. Planejou e executou a logística de alimentos para 152 bares em 17 Arenas das Olimpíadas RIO-2016. Foi eleito Profissional de Logística do Ano em 2010 - prêmio da MundoLogística.

 

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