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A morte da gestão de Supply Chain

Antes de começar a leitura, peço calma!

Sim, a Supply Chain como você a conhece está morrendo rapidamente. Mas há uma nova organização a caminho. A cadeia de suprimentos cada vez mais será o coração do negócio. Para tomar as melhores decisões, os gerentes precisam ter acesso a dados em tempo real.

Novas tecnologias digitais com o potencial de assumir completamente o gerenciamento da supply chain vão afetar as formas tradicionais de trabalho – automação, robotização, internet das coisas, Blockchain, veículos autônomos. Dentro de 5 a 10 anos, as funções da logística como você as conhece estarão obsoletas, substituídas por uma ferramenta regulável, que bem calibrada otimiza os fluxos de trabalho de ponta a ponta e requer muito pouca intervenção humana.

Aqui cabe um parênteses: Organizações menos maduras levarão mais tempo para mergulhar nas novas tecnologias. Algumas sequer possuem processos bem definidos, melhoria contínua, indicadores. Mais de um terço dos armazéns não possuem um sistema WMS (sistema de gestão de movimentação em armazéns). Mas para sobreviver, terão que se adaptar mais rápido à automação, ou serão extintas.

Na outra ponta, as empresas líderes já estão explorando as possibilidades. Muitas já usam robótica ou inteligência artificial para digitalizar e automatizar tarefas e processos repetitivamente intensivos em mão de obra como compras, faturamento, contas a pagar e partes do atendimento ao cliente. A análise preditiva está ajudando as empresas a melhorar a previsão de demanda, para que possam reduzir ou gerenciar melhor a volatilidade, aumentar a utilização de ativos e oferecer conveniência ao cliente a um custo otimizado.

Os Blockchains estão começando a revolucionar a forma como as partes colaboram em redes de fornecimento flexíveis. Os robôs estão melhorando a produtividade e as margens em armazéns de varejo e centros de atendimento. Os drones de entrega e os veículos autônomos não estão muito longe- um pouco longe somente.

Dados em tempo real, precisão inquestionável, foco incansável no cliente, excelência de processos, sustentabilidade ambiental e liderança analítica serão os pilares das operações – desde a aquisição de materiais até o cliente final. Com uma base digital, as empresas podem capturar, analisar e interpretar dados em tempo real. A tendência é clara: a tecnologia substituirá as pessoas no gerenciamento da cadeia de suprimentos- e fazendo um trabalho mais preciso. Não é difícil imaginar um futuro em que processos automatizados, governança de dados, análise avançada, sensores, robótica, inteligência artificial e um loop de aprendizado contínuo minimizem a necessidade de seres humanos.

Mas com processos automatizados, o que resta para os profissionais da cadeia de suprimentos? Para reflexões como essa foi criado o Clube da Supply Chain, um palco para debate das tendências, inovação e tecnologia na logística, com foco em geração de negócios e networking. Convido você a se juntar neste exercício de acompanhar as transformações da Supply Chain. A boa notícia para profissionais e empresas é que restam desafios de sobra pela frente.

No curto prazo, os executivos da Supply Chain precisarão mudar seu foco de gerenciamento de pessoas, fazendo principalmente tarefas repetitivas e transacionais, para projetar e gerenciar informações e fluxos de materiais com um conjunto limitado de trabalhadores altamente especializados. No curto prazo, serão valorizados os analistas de operações que tenham capacidade para validar dados, usar ferramentas digitais e algoritmos.

Olhando mais longe, pessoas deverão ser capacitadas em novas habilidades que transitem entre as operações e a tecnologia. O grande desafio para as empresas e seus RHs será criar uma visão da cadeia de suprimentos para o futuro – e uma estratégia para preencher essas funções críticas.

Enfim, a morte da gestão da cadeia de suprimentos da forma como a conhecemos está no horizonte. Os profissionais que perceberem este caminho e buscarem atualizar suas habilidades são os que sairão na frente.

Luís Eduardo Ribeiro

Por Luís Eduardo Ribeiro

Diretor Executivo da LELO Logística e Operações ( www.lelolog.com.br ), que oferece suporte completo de consultoria e gestão para a logística de ponta a ponta. Já conduziu projetos com foco em otimização de operação e transportes, redução de custos, terceirização com operadores logísticos e aumento do nível de serviço oferecido a clientes em empresas como DHL, Carrefour, Ponto Frio e bioMérieux. Planejou e executou a logística de alimentos para 152 bares em 17 Arenas das Olimpíadas RIO-2016. Foi eleito Profissional de Logística do Ano em 2010 - prêmio da MundoLogística.

 

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