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Workshop Logística Tributária e Fiscal

 

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Fator de cubagem: saiba o que é e aprenda a calcular na hora de compor o frete

 

O que pesa mais? Um quilo de algodão ou um quilo de chumbo?

A resposta é obvia não é?

De certa forma sim. Os dois pesam o mesmo (01 kg). Porque de certa forma? Quando se fala de transporte ou composição dos custos do frete essa brincadeira do kg de chumbo e algodão ganha seriedade. Apesar de terem o mesmo peso, a densidade não é a mesma e, isso faz toda a diferença no momento de compor os custos.

 

VOCÊ SABE QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS COMPONENTES DE UM FRETE?

Quando se forma um frete geralmente calcula-se: Frete peso: parcela de maior importância no freteFrete valor: percentual atrelado ao valor da mercadoria podendo incluir (grosso modo) ad valorem, taxas de coleta ou despacho e pedágio e Gerenciamento de risco: rastreamento do veículo e escolta (dependendo do valor da carga).

 

PORQUE FRETE PESO?

Veículos de transporte de carga não são idealizados para transportar volume e sim peso (salvo caminhões tanque e veículos para operações específicas).

No transporte o fator de cubagem é importantíssimo e, calcular o volume excedente transformando-o em peso cubado acaba com os prejuízos operacionais como ociosidade e baixa produtividade.

 

PESO CUBADO E FATOR DE CUBAGEM:

Em síntese, a "cubagem" no transporte dedica-se em evitar a ocupação total do espaço físico do veiculo sem utilizar toda a sua capacidade em peso. Porém é preciso cautela, pois, tecnicamente o conceito de cubagem tem por base a densidade da carga e não o seu tamanho.

Vamos usar o exemplo da brincadeira feita no início do texto: pense como seria transportar uma caixa de 1 m³ contendo algodão e transportar essa mesma caixa cheia de chumbo. O chumbo dentro da caixa possui peso maior que o algodão, no entanto os dois ocupam o mesmo espaço no veículo (1 m³). No entanto, na caixa com chumbo haverá espaço para inserir mais produto. São produtos de densidades diferentes.

***

Cada modelo de veículo tem sua capacidade volumétrica específica e para encontrá-la é muito simples — basta pegar as medidas do baú — altura, largura e profundidade e usar a seguinte formula:

Altura x Largura x Profundidade = m³

Vamos considerar como exemplo medidas reais de um caminhão padrão: Carreta Baú de 3 MT de altura, 2.5 de largura e 12 de profundidade com capacidade para peso de 27.000 kg.

A formula ficaria assim: 3,0 x 2,5 x 12 = 90 m³. A capacidade volumétrica desse veículo seria de 90.000 m³. No entanto sabemos que você não quer e nem sempre consegue medir todos os caminhões não é mesmo?

Pensando em ajustar produtividade entre peso e densidade a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre), sugeriu uma formula simples de calculo: Um veículo com capacidade para 15 t de peso e 50 m³ de capacidade volumétrica tem sua densidade de carga ideal igual a 300 kg/m³.

Isso significa que cada metro cúbico deve transportar um peso de 300 kg, assim, é empregada uma taxa de conversão para cargas de baixa densidade (como o algodão), considerando as dimensões do volume, multiplicado pelo fator de cubagem igual a 300.

 

 

 

Para aferir se a fórmula da ANTT faz sentido, basta dividir a capacidade total do peso de qualquer caminhão pela capacidade volumétrica e encontrará o fator de cubagem média de 300 Kg por m³, configurando assim uma boa medida de referência.

Obs.: Se quiser fazer o teste use o exemplo da carreta baú acima dividindo seu peso total pela capacidade volumétrica e encontrará o referido fator de cubagem.

 

 

QUAL O FATOR DE CUBAGEM DE CADA MODAL?

Cada modalidade de transporte possui seu próprio fator de cubagem. Como são equipamentos diferentes sua capacidades de carga e volumes também diferentes:

* Fator Rodoviário: 1m³ =300 kg
* Fator Aéreo: 1m³ = 166,6667kg
* Fator Marítimo: 1m³ = 1.000kg

Obs.: Na carga fracionada é comum encontrar transportadoras que adotam a densidade média de 200 ou 250 kg/m³, isso porque essa é uma modalidade que transporta variados tipos e tamanhos de produtos no mesmo caminhão, diante disso completar todos os espaços vazios é desafiador, dificultando a inserção de 300 kg/m³.

 

APRENDENDO A APLICAR O FATOR DE CUBAGEM AO COMPOR O CUSTO DO FRETE:

 

Agora que entendemos o conceito vamos aplicá-lo na prática, afinal não querermos comprometer as margens de lucro do serviço ou produto não é mesmo!

Se você for transportadora  e não aplicar o fator de cubagem na hora de transportar "queimará" todo o seu lucro não conhecendo a verdadeira densidade dos produtos transportados. Então será preciso:

  • Adquirir equipamentos de aferição de peso (vale o investimento). Pesar e medir as mercadorias. Já vi muitos casos de clientes "errarem" o input do peso da mercadoria na nota fiscal;
  • Se você não tem costume de medir e pesar as mercadorias ao fazê-lo, garanto que terá seu faturamento aumentado em imediato (a isso damos o nome corriqueiro de cubar a mercadoria a ser transportada).

Se for embarcador será saudável conhecer os mecanismos de composição de fretes adotados pela transportadora, assim não será surpresa quando cubarem sua carga. Sem falar na importância de conhecer a rentabilidade de cada SKU.

Empregar o fator de cubagem será possível tanto no transporte de carga lotação quanto no transporte de carga fracionada. O que determinará a aplicação no calculo do frete é o tipo de produto que será transportado: papel higiênico, absorvente feminino, salgadinhos, papelão, colchão, isopor, algodão, fraldas descartáveis e etc.

Para encontrar o peso real da carga a ser transportada você deve:

1.    Conhecer todos os dados sobre a carga, como quantidade de volumes, altura, largura e comprimento de cada item;

2.    Multiplique Altura x Largura x Comprimento x Número de Volumes x 300 (ou fator de cubagem correspondente);

3.    Pronto, agora você encontrou o resultado correto. Se for menor que o peso declarado, então desconsidere o valor encontrado e utilize o peso original para compor o custo do frete;

4.    Caso contrário, se o resultado encontrado for maior que o peso declarado, então considere o valor encontrado como o peso correto, na composição do custo do frete.

 

Até a próxima!

Achiles Rodrigues

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Achiles Rodrigues Possui mais de 16 anos de atuação em logística, transportes, processos e pessoas. É professor de liderança e criatividade e um entusiasta do mundo digital. É graduado em administração de empresas, Teologia e pós-graduado em MBA Logística e Supply Chain.

 

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