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Vai contratar uma transportadora? Saiba quais erros não cometer

 

O transporte é geralmente o elemento mais importante nos custos logísticos para a maioria das empresas. A movimentação de fretes absorve entre um e dois terços dos custos logísticos.

Todo gestor se depara com o dilema do modelo ideal para sua logística de transportes. Frota própria ou terceirizada? Contratar um operador logístico e terceirizar a distribuição? Contratar uma transportadora? Muitas transportadoras?

É possível reduzir os custos? Se sim, como fazê-lo? 

Esse artigo busca apontar o caminho a ser seguido na hora de escolher o melhor e mais eficiente modelo para sua logística de transportes. Para que o leitor de todos os setores entenda e consiga colocar em prática, tentarei me desviar de termos e linguagens muito técnicas que é própria da logística de transportes.

Boa leitura e bons negócios.

Frota própria x Terceirizada
A decisão sobre a propriedade da frota sempre foi uma das mais estratégicas da logística de transportes, importantíssima para o sucesso logístico das empresas de diversos setores. Existe uma infinidade de empresas no mercado que prestam serviços de transportes, como operadores logísticos, transportadoras e transportadores autônomos, a um custo bem atrativo. 

Algumas empresas ainda insistem em frota própria, contudo o que temos visto no mercado é a migração para a terceirização total ou parcial da frota, pois quando se faz uso de frota própria, o nível de investimento (custos fixos) é muito elevado. Este capital imobilizado poderia ser redirecionado para outras áreas que fazem parte da competência estratégica da empresa, como, por exemplo, investir no processo produtivo e aumentar sua produtividade.

Terceirizar a frota total ou parcialmente, pode significar acesso à tecnologia de ponta na área de logística, já que este é o diferencial estratégico das transportadoras. Além disso, algumas rotas podem ter sinergia com outras rotas da própria transportadora e os ganhos podem ser divididos entre ela e a empresa.

Outra vantagem da terceirização é a maior flexibilidade para a empresa em casos de flutuação da demanda, já que não estará sujeita a ociosidade.

Sem falar nos desafios na gestão dos motoristas, visto que é prática comum mangueira se "soltarem" nas viagens derramando centenas de litros de óleo. Pneus se "rasgam" com facilidade; veículos saem com pneus novos e retornam com velhos, "engarrafamentos" monstruosos; até onde não seria possível acontecer. As entregas são bem mais difíceis e a porcentagem de cargas devolvidas são bem mais altas, enfim, são muitos os desafios da gestão.

Cabe ao gestor fazer os estudos necessários e aplicar em sua operação o modelo mais rentável e efetivo.

"Escolhendo" uma transportadora
São muitas as opções de Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas - ETC e Transportador Autônomo de Cargas - TAC no mercado, a oferta é altíssima, pois muitos "empreendedores" migraram para esse nicho. Muito por conta dos incentivos e facilidades de compra de caminhões no passado. O fator negativo é o número expressivo de aventureiros; pessoas que não tem a menor noção do que é o transporte, contudo decidiram se embrenhar por este mundo buscando ganhos fáceis.

A Lei de oferta e procura deveria ser saudável, entretanto no transporte, essa competição tem se mostrado prejudicial ao setor. Muitas pequenas transportadoras conseguem fazer um valor de frete mais baixo, contudo sem a excelência na execução. E a explicação é simples: são TACs que se “pejotizaram” para conseguirem sobreviver, logo sem sempre tem por trás uma estrutura física, a maioria tem como endereço de seu CNPJ sua própria residência, quando é necessário emitir um documento fiscal a esposa ou filhos são os funcionários que realizam o serviço.

É importante que o gestor tenha ciência de tudo isso, não que isso seja um demérito, essas pequenas ETCs estão dentro da Lei. Mas a saúde financeira deste pequeno transportador depende de um pagamento de frete muito rápido, pois a maioria não tem capital de giro para manter os veículos próprios ou agregados em uma operação que demore mais de uma quinzena para pagar os fretes.

Por outro lado, grandes transportadoras tem a necessidade de elevar seus custos por conta de uma grande estrutura como, espaço físico, certificações, tecnologia, pessoas e frota dentro dos padrões normalmente exigidos.

Ao contratar a transportadora parceira, o gestor deve analisar muito bem, acredito que tenha espaço para todos. O importante é enxergar este "novo" contratado como parceiro e parte integrante de sua empresa, afinal, é ele que o representará junto ao cliente na hora da entrega.

Qual a melhor escolha?
Você deve estar pensando: “o Achiles está dizendo então que o caminho é trabalhar com grandes transportadoras, pois podem me oferecer muito mais segurança e comodidade”. E eu te respondo: Não necessariamente. Não vamos nos enganar, o grande transportador pode contratar o pequeno que citei lá em cima e pagar muito mais barato para ele fazer sua operação.

O que ela faz diferente de você? Gestão. Analisa o histórico do "nanico", Se resguarda via contrato e paga mais rápido que você. A análise é sua. Vale a pena fazer a gestão, mudando alguns detalhes e economizar na conta frete?!

Negociação dos custos (fretes e taxas)
A negociação é uma arte. o custeio varia muito de transportadora para transportadora. Como disse, nenhuma é igual à outra, em termos de estrutura, idade de frota, Mark-up e salários.

E em tempos de tanta oferta, o contratante é sempre beneficiado.

De qualquer forma, é preciso cautela na hora de "sangrar" a transportadora no momento da negociação. Lembre-se que ela precisa ganhar dinheiro e se manter financeiramente saudável, afinal, a transportadora precisa manter o nível de serviço estabelecido e representá-lo bem diante de seu cliente. Seja justo e faça contas junto com seu parceiro.

O que faz com que os valores negociados melhorem? 

Ficar “na mão” de uma ou duas transportadoras não é interessante e diria que é até perigoso do ponto de vista da segurança operacional. O melhor modelo é dividir a demanda entre mais transportadoras. Entretanto fracionar muito a demanda também não é interessante do ponto de vista financeiro, visto que sem um bom volume, as transportadoras não conseguem fazer "milagres" nos custos.

Vai contratar uma transportadora?
Esses são alguns pontos que merecem atenção; pistas de ouro para nortear decisões no dia a dia ao negociar a contratação de uma transportadora. Claro que existem outros pontos importantes que devem ser considerados, cabe ao gestor encontrá-los. 

Até a próxima.

 

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Achiles Rodrigues Possui mais de 16 anos de atuação em logística, transportes, processos e pessoas. É professor de liderança e criatividade e um entusiasta do mundo digital. É graduado em administração de empresas, Teologia e pós-graduado em MBA Logística e Supply Chain.

 

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