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O efeito borboleta na cadeia logística e os três pilares para eficiência e inovação

 

Pense em uma empresa que precisa reduzir custos com produção. Via de regra, ela deve produzir ao máximo – ou seja, deve fazer mais, com a mesma estrutura de máquinas e pessoas. Mas se a fábrica fizer isso de forma independente, corre os riscos de engargalar toda a cadeia, visto que poderá não conseguir transportar, armazenar, entregar, vender ou repetir a venda.

Como isso acontece na prática?

A fábrica tem KPIs (Key Performance Indicador) e, para reduzir custos, decide produzir mais volume de um ou outro produto. A logística, que não tem orçado transporte para a produção maior, terá que buscar no mercado veículo SPOT (que excede a demanda orçada) para escoar a produção.

Se houvesse programação, seria possível fazer para o cliente um TDF (transferência direto da fábrica), mas como o comercial não vendeu a produção excessiva, a logística vai coletar e levar para armazenar em galpão que não estava preparado em capacidade, nem em contingente, para suportar o volume excedente.

O que vai gerar gargalos no carregamento na origem e também na descarga do destino, implicando em estoque sobre rodas (uso de caminhão como estoque). O que consequentemente implicará em:

  • Hora extra do time de logística (corporativo e operacional);
  • Pagamento de estadia;
  • Taxa de urgência (custo de frete pelo menos 30% maior que o orçado) e etc.

Se o produto não for como pão quentinho que se vende sozinho, precisará de uma ação de marketing, trade e vendas junto a pontos de venda e consumidores para potencializar uma venda recorde.

No momento dessa segunda perna de entrega, ocorrerá novo custo com frete para entregar no cliente ou consumidor final, ainda pior que isso, se a mercadoria encalhar, ocorrerá em:

  • Novo custo para realizar logística reversa;
  • Nova armazenagem enquanto espera destinação adequada;
  • Manuseio para carga, descarga e acondicionamento;
  • Reprocessamento;
  • Descarte de embalagens ou até mesmo do produto se perecível.

Enfim, voltemos a estratégia fabril: a fábrica pode ter diluído o custo para produzir, contudo criou um mega problema para o restante da cadeia.

Um efeito borboleta: uma decisão aparentemente correta tomada por uma área que precisa atingir o KPI e faz com que sua ação prejudique outras áreas, além de fazer a empresa perder rios de dinheiro.

Já ouviu falar do efeito borboleta?

O termo, atrelado a teoria do caos, diz que o simples bater de asas de uma borboleta, poderia provocar um tufão do outro lado do mundo. Em linhas gerais, aponta para a previsibilidade de um sistema fechado como a cadeia de Supply.

Antes de tomar qualquer decisão é preciso planejar: finanças, estoque, armazenagem, transporte, vendas, marketing e áreas correlatas. Ou seja, ter um olhar integrado de toda a cadeia logística.

A isso damos o nome de Supply Chain: expressão inglesa que significa “cadeia de suprimentos” ou “cadeia logística”. O conceito abrange todo o processo logístico de determinado produto ou serviço, desde a sua matéria-prima (fabricação) até a sua entrega ao consumidor final.

Os três princípios chaves para uma cadeia logística moderna e eficiente

O Supply Chain é responsável por planejar, implementar e controlar eficientemente o custo, o fluxo e armazenagem de matérias-primas e dos estoques durante e depois da produção. É um centralizador de todas as informações relativas a essas atividades, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender os requisitos dos clientes.

Como vimos, em uma cadeia tudo está interligado – a sincronicidade entre departamentos como vendas (estimativa), marketing (estratégia), planejamento e demanda (equalização dos estoques), financeiro (custos de estoques e fretes), customer service (nível de serviço), compras (insumos) e outros, é vital e depende de três importantes vaiáveis.

1. Tecnologia
Os avanços tecnológicos são os motores das mudanças e transformações na sociedade. Em tempo de indústria e Logística 4.0, tecnologia não é uma opção é questão de sobrevivência.

Tecnologias vêm influenciando cada vez mais as atividades, agilizando processos, eliminando o excesso de papéis, melhorando a comunicação, oferecendo maior segurança no deslocamento das cargas e principalmente reduzindo custos.

Na logística, o que se vende é informação. A tecnologia da informação está associada à utilização de software e outras tecnologias que oferecem apoio para a tomada de decisão e definição de estratégias no transporte.

Conexão em tempo real entre fábricas, Hubs, estoques, clientes. Veículos de coleta e entrega rastreáveis, roteirizados e comunicando é algo vital para o controle da demanda.

Enfim, invista em tecnologia. Essa é uma obrigação caso queira permanecer vivo.

2. Processos
Gestão e controle dos processos: esse é o principal e mais importante ponto para chegar ao topo. É o que trará maior controle, redução de custos e alavancagem do nível de serviço final.

Ter os processos mapeados, atividades dominadas, sistemas e indicadores para identificar os desvios e auxiliar na tomada de decisão é essencial. Padronize os processos logísticos. Se sua logística não tem isso, ela não tem muito.

O mercado, automaticamente, separa homens de meninos. Novas tendências estão sempre surgindo: soluções inovadoras, softwares e novos padrões. Ou você, profissional e empresa se reinventam, ou terá que dar lugar para quem o faz, e oferece diferenciais competitivos de verdade.

A falta de processos claros, eficientes, bem definidos, padronizados, operacionalizados e divulgados, é a causa de maior desgraça de empresas. Processos eficientes garantem bons resultados. Processos são tudo.

3. Pessoas
Por trás de cada tecnologia, processos, controle ou planejamento existe gente. Seus clientes são pessoas, seus funcionários são pessoas, logo, perece razoável que, sem entender de pessoas, não existe negócio de sucesso.

Já vi muito plano, meta, projeto dar errado. Isso porque, na hora de operacionalizar, as pessoas não compreendiam ou não acreditavam no que estavam fazendo.

Trabalhei em um projeto que tinha tudo para dar certo. A definição das metas foi perfeita, o cascateamento das metas foi bem feito, as reuniões de implantação foram bem realizadas e detalhadas, mas não conseguíamos capturar os resultados.

Revisamos, discutimos, medimos, fizemos conta e boom: descobrimos onde estava o GAP.

O time que deveria executar o projeto não acreditava no projeto. Ouviram, adotaram o método só para inglês ver, mas a cultura não mudou. O mindset era o mesmo de sempre...

Demos um passo atrás, evangelizamos, trouxemos juntos a liderança intermediária, procuramos envolver os líderes natos do chão de fábrica, aqueles que não tinham a patente, mas que todo o time confiava.

Adivinha o que aconteceu? Bingo. Os resultados vieram já no mês seguinte.

A guerra se vence na trincheira e não na sala de planejamento. Claro que deve-se planejar bem, contudo, sem a operacionalização perfeita nada acontece.

Invista em gente. Tenha os melhores profissionais no seu negócio. Mas acima de tudo, garanta que quem executa entendeu, acreditou, comprou a ideia.

Um time engajado que joga como equipe vence qualquer jogo independente da crise.

***

Um simples bater de asas de uma borboleta no Novo México pode iniciar um tsunami no Japão. Assim como uma decisão em uma das pontas da cadeia de suprimentos pode gerar um desequilíbrio de toda a cadeia.

Planejar produção, produzir, entregar produtos ou serviços na qualidade, tempo, quantidade e condições requeridas, no melhor custo, encantando o cliente e gerando repetição da venda é possível, mas não é para qualquer um, é para quem faz bem feito.

Até a próxima!

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Possui mais de 16 anos de atuação em logística, transportes, processos e pessoas. É professor de liderança e criatividade e um entusiasta do mundo digital. É graduado em administração de empresas, Teologia e pós-graduado em MBA Logística e Supply Chain.

 

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