ÁREA DO ASSINANTE
Inscreva-se em nossa newsletter e fique bem informado!
Transfolha

 

Assine Black Friday


O barato que sai caro: contratar transportadora pelo preço e não pelo valor

 
Essa é a maneira mais fácil de fazer logística do jeito errado.
 
Você ainda escolhe um fornecedor de transporte de carga pelo preço e não pelo valor que este pode agregar?
 
Aliás, você sabe a diferença entre preço e valor?
 
Preço é o que você paga e valor é o que você leva...
 
Escolha uma transportadora, apenas, pelo preço e pagará um alto preço quando o valor esperado pelo seu cliente não aparecer.
 
A escolha da empresa para transporte de cargas implica em fatores que vão muito além do preço — esse é um cuidado que deve ser tomado pelo contratante do "frete", a propósito, isso é um problema: contratar frete e não um fornecedor gabaritado de transporte — a ação pode colocar em risco a imagem da empresa no mercado.
 
Claro que preços e prazos são importantíssimos, no entanto secundários quando elencados entre os critérios mais relevantes em uma contratação.
 
Para se cogitar a contratação de um fornecedor de transportes (ter um CNPJ e um CNAE registrado como transportadora não gabarita a empresa como tal) é preciso saber cinco coisas a respeito do candidato:
 
  1. Reputação da empresa no mercado: quais são os principais clientes e o que o mercado fala da transportadora;
  2. Composição da frota: tem própria ou te atenderá com autônomos?
  3. Certificações: tem as devidas licenças e certificações para o transporte em questão?
  4. Que tipo de serviços oferece? É um 3PL ou um 4PL?
  5. Que tecnologias têm a sua disposição?

 

Você não quer e não deve contratar um fazedor de frete, mas uma transportadora gabaritada para representá-lo no momento da entrega de seu produto e gerar valor e experiência para seu cliente.

 

PARECE IGUAL, MAS NÃO É

 
A quem diga que transportadora é transportadora, isso é alienação. Como em qualquer área de atuação existem aquelas que se destacam pelo excelente serviço que prestam e existem os aventureiros no mercado — esses desmoralizam o setor através de um serviço feito "nas coxas".
 
Entregar o produto no melhor custo possível deve ser a foco de qualquer empresa que queira melhorar suas margens; reduzir suas despesas com entregas e potencializar seus recursos. Mas o x da questão é que não tem mágica sem boa gestão e controle.
 
O transporte é a parcela de maior custo na logística, ponto. Chegando a abocanhar, em alguns casos, 2/3 do custo logístico, isto é, entregar teu produto custa caro não é mesmo! Sim, e, esse custo conseguimos mensurar...
 
...o que não se consegue mensurar é o custo de não entregar, ou entregar de qualquer jeito: sem qualidade, rastreabilidade, controle, gestão, segurança e agilidade. Aqui está o pandemônio.
 

AS DIFERENÇAS ESTÃO NOS DETALHES:

 

 
Transporte profissional:
 
Tem respeito e zelo pela carga que transporta; antes, durante e depois da entrega — os motoristas são instruídos sobre como ser idôneos com a carga, no transito e com o cliente que recebe a carga. Preocupam-se com o pós entrega, isso mesmo, existe um departamento de pós entrega, controle de qualidade e, sua carga tem toda segurança necessária para que seu cliente seja bem atendido.
 
 
 
 
 
 
 
Transporte amador:
 
São aventureiros tentando a sorte em um setor em que a barreira de entrada é muito baixa. Parecem transportadora — motoristas com uniforme, veículos aparentemente em condições, no entanto não há respeito pela carga, cliente, fornecedor e transito. Custa menos? Claro que sim, mas o valor é zero. Com esse cara te representando junto ao cliente você estará em maus lençóis.
 
 
 
 
 

SAIBA O QUE BUSCAR EM UMA TRANSPORTADORA:

 
Logística de transporte não é para amadores. Não é só contratar um caminhão com um condutor e realizar a entrega. Existem cuidados mínimos para que o serviço seja uma experiência que gere a repetição de sua venda, assim, pontos como os listados abaixo são primários, necessários e vitais:
 
  • Fazer gestão dos pedidos (atentar-se ao Drop-size, cluster e ociosidade x ocupação dos veículos);
  • Carregar, acondicionar e descarregar a carga da forma correta para manter a qualidade inclusive da embalagem de embarque;
  • Roteirizar as entregas com sequencia de visitas mais efetiva e mais barata;
  • Realizar todo o acompanhamento da entrega, desde a coleta até a entrega;
  • Rapidez na entrega, entregas completas e no prazo (OTIF);
  • Agendar, paletizar, enviar XML antecipadamente e dar suporte à entrega;
  • Rastrear o veículo tendo a posição real do entregador;
  • Garantir que o entregador seja educado, honesto, disciplinado;
  • Fazer a baixa da entrega/canhoto no ato da entrega;
  • Fazer a logística reversa, de troca, se necessário com comunicação em tempo real com a base;
  • Realizar o pós entrega de maneira eficiente oferecendo segurança para o cliente.
 
Não podemos chamar de diferencial esses itens, eles são o mínimo que uma empresa de transporte de cargas deve oferecer para ter status de transportadora.
 

Mais 05 pontos substanciais:

 
Além das cinco “coisas” que falamos no início do artigo, uma transportadora para conseguir oferecer o mínimo de segurança, deve ter mais cinco especificações:
 
  1. Verifique se a transportadora está legalmente ativa: o CNPJ está okay? É LTDA, MEI, EIRELE?
  2. A apólice de seguros que ela apresentou está paga/funcional ou está inativa (prática comum de aventureiros, falam que está ativa e não pagam há tempos)?
  3. Pendências: consulte as pendências fiscais, trabalhistas e outras para que não respingue em seu CNPJ um possível processo;
  4. Condição de formalizar um contrato: não é saudável ter uma relação comercial de fio de bigode. Formalizar em contrato os direitos e deveres de ambas as partes é essencial para a segurança da operação;
  5. Time operacional: o time envolvido no atendimento deve ter o mínimo de expertise no transporte em questão — conhecendo particularidades da coleta, transporte e entrega.
 
Agora sim, podemos ir ao preço do Frete:
 
Só depois desses cuidados, podemos ir o preço do frete. O que é sem dúvida uma das partes mais sensíveis de uma negociação. Se ele for mal calculado a empresa embarcadora e transportadora correm o risco de não ter lucros, assim a relação tende a se desgastar em algum momento.
 
 
Até a próxima!
Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Achiles Rodrigues Possui mais de 16 anos de atuação em logística, transportes, processos e pessoas. É professor de liderança e criatividade e um entusiasta do mundo digital. É graduado em administração de empresas, Teologia e pós-graduado em MBA Logística e Supply Chain.

 

Veja também: