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Logísticos: Quem são? O que pensam? Como vivem? São artistas? Cientistas? Malucos?

Há quem diga que logística é arte. Parece ter vida própria — evolui por si só, seduz, encanta, estressa. Tira o sono, cansa.

Logística é mesmo arte. É ciência, às vezes indecência. Sabe de sua importância, e talvez por isso maltrata a quem dela cuida e muito mais de quem descuida.

Pode promover, favorecer, nutrir, articular, incrementar e alavancar. Assim como estorvar, impossibilitar, dificultar, embaraçar, atrapalhar. Experimenta esquecê-la. Ela tem sentimentos...

Ousada, folgada; abusada. É dona de uma linguagem toda própria — um vocabulário peculiar, particular. Só seu. Quase que um dialeto. Cheio de siglas, termos, expressões; divagações: CT-e, GRIS, SPOT, MILK-RUN, CROSS-DOCKING, e assim vai.

Caminhão é cavalo, carro, às vezes trucado. Toco, médio, treminhão, bitrem, rodotrem e mais alguns trens. Motorista vive na boleia, bate alavanca, põe na banguela. Carrocerias são abertas, fechadas, baú, graneleira e sider.

Para fazer logística é simples: basta gostar da estrada, se acostumar com a falta de acuracidade do pessoal de casa, da impaciência de quem vendeu e da intolerância de quem recebeu.

Gostar da loucura é obrigatório – tem que lidar com a desordem tornando-se ordem nas curvas do ABC. Tem que ser amigo do relógio, do just-in-time, das janelas agendadas e parceiro dos amigos inseparáveis: FIFO, FEFO E LIFO.

O profissional de logística tem que driblar o caos das megalópoles e as deficiências de um Brasil escravo de rodovias sem infraestrutura. Gostamos do nível hard. Temos até uma bela costa marítima e rios no Brasil, mas não usamos a navegação como deveríamos. Mesmo sendo uma terra plana para ferrovias, os bitolados usaram oito bitolas ferroviárias diferentes.

Ok. No problem.

O melhor da logística são os profissionais: que sem "exagero nenhum", poderiam ter mudado a história e a mitologia como conhecemos. Um bom logístico roteirizaria um atalho para Ulisses retornar a Ítaca. Usando uma planilha de Excel responderia ao enigma da Esfinge antes de Édipo, e determinaria melhor rota para atingir Tebas. Realizaria a conferência e armazenagem do cavalo de Troia fora dos muros. Encontraria a localização do Graal. Um profissional de logística teria facilitado, e muito, os 12 trabalhos de Hércules e, sem dúvidas teria contribuído para melhor acuracidade histórica.

Mas falemos de problemas convencionais — e esses têm aos montes. A carga não coube no caminhão, o pedido expirou, o Sefaz não integrou, o produto não foi encontrado? Corta da nota. Mas já foi impressa. O cliente não quis receber, estoque cheio, preço divergente, estamos em inventário. Coisa de gente, sabe? 

Preocupações? Isso sim tem que ter. Pré-ocupação... para que na hora tudo dê certo. Processamento de pedido (Como os pedidos devem ser atendidos?), armazenagem (Onde os depósitos devem ser localizados?), estoque (Que nível de estoque deve ser mantido?) e transporte (Como os produtos devem ser despachados e em que time?).

Errar é humano, mas na logística é insano.

Errou? Tudo bem, mas saiba que custa caro. Perdeu a janela? Reentrega. Errou no tamanho do veículo? Paga dois fretes. Existem taxas para tudo, generalidades aos montões – nesse quesito a logística parece mesmo Brasil, guardada as devidas proporções.

Deseja ser profissional de logística? Aprenda a ser garçom: mágico, equilibrista e tenha alma de artista. Entenda de atracamento de navio a acasalamento de muriçoca, tributação, mecânica, legislação, geografia, matemática, física e psicologia.

É desafiador, não tem um dia como o outro – todos são diferentes. Talvez seja isso que seduz. Fazer logística é fazer arte, é encantar, nutrir, levar sonhos e vida aos cantos mais remotos do país.

Essa é uma singela homenagem aos profissionais no dia do logística. Verdadeiros artistas!

Até a próxima!

 

O conteúdo dos artigos é de responsabilidade dos autores e não necessáriamente refelete a opinião da MundoLogística.

Achiles Rodrigues

Por Achiles Rodrigues

Possui mais de 16 anos de atuação em logística, transportes, processos e pessoas. É professor de liderança e criatividade e um entusiasta do mundo digital. É graduado em administração de empresas, Teologia e pós-graduado em MBA Logística e Supply Chain.

 

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