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Recebimento fictício de carga: o pequeno e desagradável segredo sobre o qual ninguém quer falar

* Por Alexander McGinley

Há apenas uma geração, o alvo dos ladrões de carga era os caminhões parados em estacionamentos e pontos de descanso. Hoje, graças ao amplo uso do   (GPS), de fechaduras de alta tecnologia e de outras medidas de segurança pelas empresas de transporte rodoviário, os criminosos estão adotando novos métodos.

Uma das novidades mais bem-sucedidas é criar uma companhia de transportes fantasma. A CargoNet, empresa de segurança de frete, destaca que esse tipo de fraude esteve presente em cerca de 10% de todos os roubos de carga, nos últimos anos. Em 2014, o valor médio de carga perdida para um captador fantasma foi mais de US$ 140 mil. Algumas estimativas colocam as perdas totais com roubos de carga em US$ 15 bilhões ou até mais. Outros dizem que o roubo acrescenta até 20% de custos dos bens de consumo.

Esses furtos são pouco conhecidos e raramente comentados fora do mundo dos transportes comerciais. As empresas que foram vítimas relutam em falar, porque têm vergonha de dizer que não fizeram a devida avaliação das transportadoras e dos motoristas contratados. Além disso, a maioria dos Estados não tem leis criminais separadas, que cobrem roubo de carga.

Passar-se por uma empresa de transporte rodoviário existente não é muito difícil. A facilidade de falsificação fica provada na trajetória da dupla de assaltantes Jon e Kyle Dickerson, que são pai e filho. Ao longo de um período de 14 anos, eles se passaram por diversas empresas de transporte rodoviário: D&T Trucking, Night Line Trucking and Fish e várias outras. Quando uma companhia acumulava muitas violações de segurança ou ficava sob suspeita, eles simplesmente abriam uma nova empresa.

Outro método cada vez mais utilizado pelos ladrões é reativar uma empresa de caminhões extinta e seu respectivo número na Autoridade Interestadual de Operações do Departamento de Transportes (DOT) a partir de um site do governo. Essa operação custa muito pouco, algo como US$ 300. Usando credenciais falsificadas, os ladrões podem se passar por uma empresa que existe há muito tempo e que aparentemente tem um bom histórico.

Além disso, há os sites tipo loadboards, como Dat.com e Truckstop.com, nos quais corretores listam cargas que necessitam de entrega. Embora o conteúdo dessas cargas não seja revelado, os ladrões podem identificar as que têm valor, com base em detalhes, como a exigência de altos valores-base para o seguro ou de uma equipe de motoristas, ou ainda a saída de locais específicos, como corredores de tecnologia ou depósitos de alimentos e bebidas.

Embora os ladrões estejam interessados ​​em eletrônicos, esses itens são facilmente rastreáveis. Por isso, o maior alvo é o setor de alimentos e bebidas (cerca de 30% dos carregamentos fictícios), cujos produtos são fáceis de vender no mercado negro e difíceis de rastrear. Keith Lewis, vice-presidente de Operações da CargoNet, ressalta que “nunca vi um número de série em um pacote de frango e, quando o frango é consumido, a prova se foi”.

O que embarcadores, transportadoras rodoviárias, corretores e intermediários precisam saber:
1. Mantenha a carga em movimento. Carga parada é carga em risco (veja os artigos “Thanksgiving Day Dinner Risks” e “Blackjacked”);

2. Concentre-se nos “pontos quentes” e nos “períodos críticos”. O pico dos carregamentos fictícios acontece durante os feriados e está altamente concentrado em alguns poucos Estados, como Califórnia, Flórida, Texas, Nova Jersey, Indiana, Nebraska e Wisconsin. Mais da metade dos carregamentos fictícios ocorre nos finais de semana, às quintas-feiras e sextas-feiras, quando a principal preocupação dos carregadores e corretores é cumprir o prazo de entrega e satisfazer o cliente. Essa urgência faz com que alguns carregadores, corretores e operadores de armazém afrouxem a triagem de motoristas e transportadores;

3. Se ocorrer um roubo, comunique-o imediatamente, não atrase o relato de tentativas ou incidentes de carregamentos fictícios para os agentes da lei. Mesmo um pequeno atraso pode significar que não verá a carga de novo. Assine um serviço de comunicação, como CargoNet, FreightWatch ou SC-ISAC, que irá ajudá-lo a monitorar e responder à atividades ilegais;

4. Saiba com quem está trabalhando. Ter sua carga roubada de um lote não vigiado é uma coisa, mas ser enganado por um ladrão, em plena luz do dia, porque não realizou os devidos procedimentos de inspeção é outra. Coloque em prática um processo de qualificação de transportadoras e siga-o de forma consistente. O mesmo vale para os corretores que trabalham com você e os funcionários que contratar. Confie, mas verifique.

O Jornal de Comércio recomenda:
• Solicite três tipos de identificação ao motorista, incluindo tanto uma emitida pelo governo, quanto outra emitida por uma empresa, além do US DOT Medical Examiners Certificate, antes de liberar a carga;

• Tire uma foto de perto do rosto do motorista (com uma imagem clara e visível) e, se possível, pegue seus registro de dados biométricos, como uma impressão digital. Fotos de alta definição de documentos de identidade são muito úteis para as investigações policiais e processos criminais;

• Verifique toda a documentação, incluindo contas de cargas, fotografia de caminhões e placas de licença, cuidadosamente observando marcas, números de identificação e sinalização. Use ID Verify, disponível online, para validar as identidades do motorista e do pessoal de transporte:

• Pode usar o GPS para rastrear seus caminhões, mas e se estiver usando o caminhão de outra pessoa para transportar as suas remessas? Acompanhe os seus envios, usando a tecnologia Radio-Frequency Identification (RFID). Esses chips podem ser colocados diretamente nos paletes ou embutidos dentro das cargas.

Contar com a cobertura de seguro apropriada
Se você é o remetente (o consignatário ou expedidor) dos bens, determine se a responsabilidade padrão do caminhoneiro cobrirá sua perda. Ela, geralmente, será limitada a uma quantidade de dólares por libra-peso ou valor, que pode ser menor do que o valor de sua propriedade. Aumente a responsabilidade para o valor total dos bens. Custará um pouco mais, mas vale a pena.

Melhor ainda, compre uma apólice de seguro de interesse do expedidor, que é uma cobertura para transporte terrestre. Isso cobre todos os seus envios dentro dos parâmetros acordados entre você e a companhia de seguros. Ela exige pouca manutenção, uma vez que os valores enviados serão reportados apenas uma vez por ano, depois que a apólice expirar. Se enviar mais do que o esperado, pagará um prêmio adicional, mas se o montante for inferior, receberá um prêmio de retorno (sujeito a uma quantidade mínima). Dessa forma, sabe exatamente o que está coberto e não precisa confiar na responsabilidade do transportador para proteger o seu interesse.

Se você é uma transportadora rodoviária com uma operação de expedição ou corretagem de fretes ou, ainda, se tem o foco no agenciamento de carga ou somente em corretagem, precisa de cobertura para as cargas transportadas por caminhões motorizados, com o complemento de uma cobertura contingente. Esse formato remove uma cláusula da seção de Bens Não Cobertos de sua apólice de seguro (a qual elimina o seguro para expedição de mercadorias ou operações de corretagem), dando a cobertura de volta.

* Alexander McGinley é vice-presidente e gerente de Subscrição para Transportes Terrestres Região das Américas da XL Catlin (860-709-3695 / alexander.mcginley@xlcatlin.com).

 

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