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Impactos da tabela de frete mínimo na terceirização de transporte

Artigo | Por Rodrigo Arozo*

A maneira pela qual a discussão da tabela de frete mínimo da ANTT vem sendo conduzida gera três fontes de incerteza e/ou pressões de aumento de custo para as empresas embarcadoras.:

  1. Ao buscar garantir uma remuneração básica para os caminhoneiros, a tabela de fretes traz o risco de uma “reserva de mercado” e consequentemente o aumento nos valores de frete praticados atualmente.
  2. As versões de tabelas apresentadas até o momento trazem imprecisões metodológicas como não diferenciar de itens de custo para veículos diferentes (consumo de combustível, pneus, etc) e não considerar aspectos operacionais tais como tempos de carga e descarga, velocidade média, tempo em fila, etc.... Essa abordagem generalista não respeita diferenças operacionais e traz distorções de custo em algumas rotas/operações
  3. A indefinição jurídica sobre a constitucionalidade desta iniciativa do governo traz insegurança sobre se os valores da tabela estão válidos, e também o receio do que pode vir a substitui-la caso o STF a julgue inconstitucional.

Após anos de crescente aumento na terceirização das atividades logísticas, isto tem levado muitas empresas a cogitar internalizar suas operações de transporte. Se é direta a identificação do impacto no custo operacional devido à adoção da tabela de frete mínimo, é bem mais complexa a estimativa de como se dará uma possível operação primarizada.

 A implantação de uma operação primarizada de transporte vai muito além da definição da compra de veículos, abrangendo também, alguns questionamentos que ficam a cargo das transportadoras nas operações terceirizadas.

  • Propriedade dos cavalos, dos complementos ou do conjunto completo?
  • Qual a estratégia de aquisição e renovação da frota?
  • Qual o dimensionamento da frota necessária? Qual será o nível de ocupação desta ao longo do ano?
  • A operação própria deve ser utilizada para todas as rotas?
  • Motoristas próprios ou terceirizados? Qual o risco trabalhista nesta possível terceirização de mão de obra?
  • Como fica a manutenção da frota? Própria ou terceirizada?
  • Qual a estrutura interna de gestão necessária para a operação?
  • Quais impactos em sistemas ou funcionalidades adicionais de gestão, planejamento e controle serão necessárias?

Considerando esta lista não exaustiva, é recomendável que a adoção de uma estratégia de primarização da operação de transporte seja realizada apenas após uma análise completa e abrangente que considere todos os aspectos envolvidos e que garanta que a decisão traga benefícios econômicos no médio prazo.

Vale ressaltar também que em momentos de pressão por aumento de custos de transporte, antes de se partir para uma solução mais radical como a primarização, é possível alcançar economias através do aumento no profissionalismo/formalização na gestão e relacionamento com transportadores, bem como através de iniciativas de ganhos de produtividade na operação.

 

* Rodrigo Arozo é sócio da Diagma Supply Chain Consulting

 

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